Pedro Soares dos Santos: “Está a chegar o momento da Biedronka crescer além fronteiras e o local preferido é a Roménia”

Com “solidez, sustentabilidade e estabilidade”, o Grupo Jerónimo Martins prepara o crescimento da joaninha polaca para o mercado da Roménia. O presidente da JM, Pedro Soares dos Santos considera que chegou a vez da Biedronka dar o salto além-fronteiras da Polónia, afirmando-se como o motor do Grupo JM.

Cristina Bernardo

A operação da Jerónimo Martins na Polónia – onde cresceu muito a rede da marca Biedronka, cujo símbolo é a joaninha – assume o papel de grande motor do grupo português presidido por Pedro Soares dos Santos, num momento em que a rentabilidade da Biedronka garante que a sua margem EBITDA “será mantida nos 7,3%” – admite o presidente do grupo, com tanta certeza que diz mesmo que “não espero alterações a este nível”. Assim, face à estabilidade das respetivas vendas e “à base da inflação local, este objetivo torna-se fácil de acomodar”, levando Pedro Soares do Santos a anunciar, na apresentação de resultados da Jerónimo Martins de 2019, que “está a chegar o momento da Biedronka crescer além fronteiras e o local preferido será a Roménia”. A geografia para crescimento da Biedronka não é segredo há algum tempo – há um ano, Pedro Soares dos Santos em entrevista ao Jornal Económico referiu precisamente a Roménia -, só faltava a decisão de avançar, que surgiu agora.

Porquê? Pelo motivo mais forte para sustentar uma decisão de expansão: a Biedronka é um motor de crescimento, com vendas estáveis e possui uma dinâmica que agrada à à equipa de gestão liderada por Pedro Soares dos Santos. Entende-se isso vendo a contribuição das marcas para as vendas registadas pelo Grupo JM: só a Biedronka responde com 67,7%, o que compara com 21% vindos do Pingo Doce. Em termos de EBITDA gerado, a Polónia é o grande motor da JM.

As alternativas para concretizar o crescimento na Roménia deverão começar a surgir ao longo de 2020 e as decisões seguirão o rumo normal das entradas num novo mercado. Para já, Pedro Soares dos Santos anuncia igualmente a criação da Fundação Biedronka, “que vai nascer este ano”, diz. O projeto social da Biedronka já apoiou 6600 seniores polacos, com compras mensais no valor de 2,3 milhões de euros.

No plano de investimento anunciado por Pedro Soares dos Santos para 2020 explica que “vamos continuar a expandir fortemente na Colômbia e na Polónia”, aplicando “entre 700 e 750 milhões de euros”, o que, entre outros projetos, dará para abrir mais 100 lojas de Biedronka, 130 da colombiana ARA, 50 da rede Hebe, mais 10 lojas do Pingo Doce e mais uma loja da rede Recheio. Neste enquadramento orçamental, o presidente da JM referiu que “em 2020 vamos continuar a crescer de uma forma rentável e responsável”.

Centrando a atenção na divisão das receitas obtidas em 2019, Soares dos Santos refere que “a Polónia continua a ter o maior protagonismo, com as vendas da Biedronka a subirem 8,8% em moeda local e 5,8% no perímetro comparável” (tecnicamente designado por LfL). “Atingiram 12,6 mil milhões de euros, o que representa mais de dois terços do total, enquanto o EBITDA atingiu cerca de 90% do total do grupo, ao superarem os 900 milhões de euros”, detalha o presidente da JM.

Pedro Soares dos Santos e toda a sua equipa de gestão admitem que o ano de 2019 foi muito trabalhoso e com uma atividade “sem descanso”, mas reconhecem que deu um dos melhores desempenhos do Grupo JM, com a Biedronka a “entregar um forte aumento de vendas e resultados”, o Pingo Doce a conseguir em 2019 “o melhor ano de sempre em termos de resultados”, o que leva o grupo a acreditar que 2020 “será mais um ano de crescimento rentável e sustentável dos nossos negócios”.

Em 2019 a JM investiu 678 milhões de euros, com a maior fatia a ser aplicada na Biedronka (ao todo, 388 milhões de euros), que permitiu inaugurar 128 novas lojas, para um total de mais de 3 mil unidades. “Temos razão para olhar com confiança para 2020, em que o Pingo Doce celebra o 40.º aniversário e a Biedronka o 25.º e acreditar que será mais um ano de crescimento rentável e sustentável para o Grupo JM”, refere Pedro Soares dos Santos.

 

 

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