Peso dos particulares no renting aumentou durante a pandemia

Se as grandes empresas preferiram prolongar contratos, nas PME foi clara a redução do negócio, enquanto os particulares reforçaram o renting, afirma Oliveira Martins, vice-presidente da ALF.

Como tem sido o comportamento do setor a nível do renting face a meses consecutivos de pandemia?
Após um 1º trimestre que indiciava um bom crescimento do renting, a pandemia de Covid-19 veio provocar uma redução acentuada na atividade no 2º trimestre. O renting manteve, contudo, o seu apoio aos clientes colaborando com estes para flexibilizar e prolongar os contratos. Os resultados do 1º semestre de 2020 revelam que o setor do renting foi responsável pela aquisição de 12.669 viaturas novas (10.201 de passageiros e 2.468 comerciais), no valor de 258 milhões de euros. Estes resultados representam uma quebra de 13,7% quer em número de viaturas, quer em valor. Apesar da quebra verificada na nova produção, a frota total gerida pelas empresas de renting manteve-se com uma evolução positiva, alcançando as 119 mil viaturas, no valor de 1,9 mil milhões de euros, resultando num crescimento de 3,0% e 5,5%, respetivamente.

 

O que tem sido feito pelas empresas do setor para mitigar a dificuldade dos clientes perante a redução dos negócios e menor necessidade de frota?
Perante o impacto do surto epidémico da Covid-19, as renting estão centradas, enquanto parceiras estratégicas, em identificar oportunidades de redução de custos e na flexibilidade no ajustamento de contratos de aluguer operacional. No renting, cada cliente é analisado de forma individual de forma a se poder atender às necessidades e características de cada um, e o setor tem feito um esforço no sentido de flexibilizar e prolongar a duração de contratos, como forma de contrariar as dificuldades sentidas neste ano, e num esforço contínuo de otimizar a frota e reduzir custos.

 

Quais os setores de negócio onde se registou maior quebra das frotas?
Não conseguimos destacar um setor de negócio uma vez que a atividade económica de vários setores que são tradicionalmente clientes do renting, foi afetada. Nas grandes empresas com políticas de frotas definidas, existe um maior destaque para o prolongamento dos contratos, enquanto nas PME existe uma maior tendência para a redução de novos negócios. Por outro lado, o peso dos particulares tem vindo a aumentar durante a pandemia.

Apesar do ambiente económico altamente incerto se refletir no investimento empresarial estamos certos de que perante uma situação de crise, as empresas reconhecem atualmente ainda mais as vantagens inerentes ao renting, que gere uma frota ativa de mais de 119 mil viaturas, pelo que através de economias de escala consegue obter vantagens que são repassadas para os clientes.

 

Quais as novidades expectáveis a nível fiscal no OE 2021 para o setor?
Ainda é precoce debater este tema, mas na nossa ótica, é crítico a retoma do incentivo ao abate, pelo menos na substituição de um veículo a combustão por um veículo elétrico, o que terá impacto positivo na eletrificação do parque automóvel, embora sejam necessárias outras medidas adicionais para garantir a sua eficácia, como o desenvolvimento da distribuição da rede de abastecimento e a necessidade de se criar uma estratégia fiscal adaptada à nova realidade da mobilidade automóvel.

 

Como tem evoluído a transição tecnológica para modelos híbridos e 100% elétricos? Os clientes estão a fazer a transição de motorizações?
No geral, as frotas estão a mudar progressivamente, encabeçadas pelas entidades públicas e grandes empresas. Começam com poucas unidades como experiência e posteriormente incorporam este tipo de solução quando adequado. As marcas automóveis têm investido muito no aumento e na melhoria da oferta das viaturas híbridas e elétricas. Porém, é uma tendência ainda pouco expressiva em termos de volume total, apesar de ter vindo a ganhar cada vez mais força, influenciada também por fatores fiscais. É indispensável o país estar dotado de uma rede de carregamento para se poder massificar o recurso a este tipo de viaturas.

 

Qual o crescimento previsível dos contratos com veículos eletrificados para o final deste ano?
Não conseguimos apurar uma previsão da evolução, especialmente no contexto atual da pandemia. Sabemos sim que a aquisição de veículos elétricos tem sido crescente, ano após anos, e que o renting tem sido dos principais instrumentos para aceder a este tipo de viaturas.

 

Pode antecipar números desta indústria no semestre vs. período homólogo e ainda projeções para o final deste ano vs. ano passado? É expectável uma recuperação em 2021? Em termos fiscais, o que poderia ser feito para ajudar a essa recuperação?
Com a retoma da atividade empresarial é expectável que no curto/médio prazo o setor volte ao crescimento positivo que apresentava antes da pandemia, apesar de ser incerto que tal aconteça já em 2021. Algumas medidas poderiam ajudar nesta recuperação, tais como a já proposta isenção de tributação autónoma às empresas que apresentem prejuízos fiscais, assim como o aumento dos benefícios fiscais nas viaturas elétricas e híbridas associados às ‘políticas verdes’ e uma política de incentivo ao abate que não discrimine todos os tipos de acesso à mobilidade.

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