PIB deverá ter caído 2,5% a 3,5% no primeiro trimestre mas expectativa é de retoma, diz ISEG

O confinamento geral e robusto do início do ano afetou severamente a atividade económica nacional, levando a mais uma queda do PIB e a um decréscimo da confiança transversal à maioria dos sectores. No entanto, o processo de reabertura anima os gestores e consumidores portugueses.

Apesar da queda abrupta registada em janeiro e fevereiro na atividade económica nacional, fruto de novos confinamentos musculados, março mostra uma melhoria relativa que, ainda que exigindo uma análise cuidada, deixa antever o início de uma recuperação em Portugal e na zona euro, conclui o Grupo de Análise Económica do ISEG. O PIB nacional terá caído entre 2,5% a 3,5% no período em análise face ao trimestre anterior, acrescenta.

Na sua síntese de conjuntura publicada esta terça-feira, o grupo de estudo da faculdade lisboeta destaca a subida dos indicadores de confiança e clima económico em março, perante o início do processo de desconfinamento, ressalvando, no entanto, o impacto que a nova onda de confinamentos nalgumas das maiores economias europeias poderá ter no cenário da zona euro.

Em termos de confiança dos agentes, as subidas nos sectores da indústria, comércio a retalho e serviços retiraram estas áreas de atividade dos valores altamente negativos em que se encontraram nos últimos meses, os mais gravosos da pandemia em território nacional e europeu.

A publicação do grupo destaca mesmo os máximos desde fevereiro de 2020 no indicador referente à indústria, bem como o valor registado nos serviços, onde se verifica a confiança mais elevada em pandemia, excluindo os meses de setembro e novembro.

No sector secundário, é de assinalar a variação homóloga em fevereiro de -1,6% no que respeita à produção industrial, que se decompõe numa queda de 5,3% na indústria transformadora e num aumento de 18,2% na produção de energia elétrica.

No que toca à construção, verifica-se uma subida nas vendas de cimento em relação a janeiro de 4%. Além disso, e num mês pouco propício à atividade, como sublinha a publicação, a variação homóloga da tendência estimada do sector ficou na casa dos 10% de aumento, um resultado animador.

Os serviços continuam a ser os mais penalizados, com uma variação homóloga negativa de 19,2% no índice referente a este sector em janeiro, onde a quebra no turismo continua a ter um impacto determinante. Em janeiro as dormidas caíram 78,5% em território nacional e 87,7% em fevereiro, com a queda entre não residente no conjunto dos dois meses a situar-se nos 91,1%.

Já o comércio registou quebras menos significativas condizentes com a situação de confinamento do país. A atividade comercial caiu 15,1% em fevereiro, quando comparando com igual período do ano passado, sendo que este valor sobe para 25,9% analisando exclusivamente o grupo de bens alimentares.

Também os consumidores mostram os melhores valores para o indicador referente a sua confiança económica desde março de 2020.

Fruto do confinamento geral no início do ano, a procura interna portuguesa deverá ter sofrido uma queda no primeiro trimestre do ano, sobretudo devido ao menor consumo interno. Por outro lado, o investimento deverá também ter caído, com a construção como a única rubrica a apresentar sinais de vitalidade e crescimento.

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