Players do turismo não antecipam retoma do setor antes do segundo semestre de 2021

Recuperaçã do turismo deverá ser lenta, depois da queda abrupta daquele que foi a alavanca das exportações portuguesas nos últimos anos, consideraram especialistas do setor durante o painel “Turismo: Motor das exportações”, no evento Portugal Exportador, do qual o Jornal Económico é media partner.

O otimismo sobre os efeitos para a retoma do turismo da vacina para a pandemia é manifestamente moderado no setor, que antecipa uma recuperação lenta que não deverá arrancar antes do segundo semestre do próximo ano, depois da queda abrupta daquele que foi a alavanca das exportações portuguesas nos últimos anos.

“A vacina é um sinal importante para uma indústria como a nossa esteve praticamente encerrada dois ou três meses e dos começou a abrir muito lentamente. Estamos perante um vírus que nos trouxe o medo, tudo o que possa contribuir para dar essa confiança ao mercado é positivo”, disse José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, no painel “Turismo: Motor das exportações”, no evento Portugal Exportador, do qual o Jornal Económico é media partner.

Porém, sublinhou que “as primeiras vacinas serão destinadas a pessoas mais de risco e aos países que têm maiores capacidades para as receber, pelo que “vai ser uma retoma que vai ser muito gradual”, antecipando que o primeiro trimestre do próximo ano também deverá ter uma procura residual, com um segundo trimestre ainda difícil. “Se vacina for introduzida no mercado o segundo semestre será melhor”, disse.

Também Bernardo Trindade, administrador da PortoBay Hotels & Resorts, realçou que a introdução no mercado de uma vacina “do ponto de vista retomar qualquer confiança é absolutamente fundamental”, ainda que anteveja que a recuperação no setor “será uma recuperação muitíssimo lenta”.

“Apesar de tudo é um farol de uma luz que todos aqueles que estão no setor anseiam”, vincou, sublinhando são necessárias medidas para a sustentabilidade do setor, como as do apoio a manutenção de emprego, defendendo que o “prolongamento destas medidas para 2021” deveria ser discutido – “para o primeiro quadrimestral isso parece-me absolutamente central”, disse.

Para Sérgio Guerreiro, diretor-coordenador da direção de gestão do conhecimento do Turismo de Portugal, “este é um momento difícil que estamos a viver”, mas mostra-se convicto de que “voltaremos mais fortes”. O especialista sublinha a importância do turismo para as exportações portuguesas, destacando que o impacto no consumo vai além de bens e serviços turísticos, que a reputação gerada de Portugal como um país “inovador, competitivo” tem “um efeito de arrastamento” e que enaltecendo a capacidade e especialização que o setor conheceu nos últimos anos de toda a cadeia de valores que produz os serviços turísticos.

Destacou ainda o conjunto de prestadores de bens e serviços que “dão suporte ao caminho da transformação”, nomeadamente “um conjunto de empresas tecnológicas portuguesas e que hoje em dia conseguiram abraçar projetos internacionais”, bem como a exportação de recursos humanos na área.

Paulo Soares, administrador da Vista Alegre Atlantis, que explicou como o turismo tem sido fundamental para o plano estratégico de investimento da empresa – exportou 75% da sua produção e este ano já atingiu os 82%, o que se traduz em 90 milhões de euros de exportação -, alertou para o impacto da pandemia nomeadamente no turismo de negócios. O administrador da Vista Alegre apontou o “quase desaparecimento das feiras nos próximos anos”, que representa uma importante fatia de consumo para “hotéis, restaurantes, viagens”.

“Com esta nova dinâmica de mercado tenho quase a certeza que vamos viajar menos. Enquanto o turismo normal vai retomar rapidamente, este de negócios vai demorar”, disse, considerando ser “importante para Portugal termos atenção como é que vamos gerir o turismo de negócios daqui para a frente”.

Uma opinião que diverge com a de Eduarda Neves, diretora-geral da Portugal Travel Team, uma agência de viagens de incoming,  que defendeu que “o turismo de negócios vai demorar mais, mas feiras não vai acabar”. Sustentou que “as pessoas estão cansadas do zoom” e “vão querer viajar novamente”.

“Desde março que faturamos zero, mas temos clientes que mudaram datas para o segundo semestre do ano que vem. Já temos conferências marcadas. Já tudo o que são incentivos onde a confiança é mais importante só a partir de 2022”, disse.

Por seu lado, Hermano Gouveia, diretor-geral da Panidor, defendeu uma aposta no crescimento sem dependência do Estado. “Está em todos nós preparar-nos. Não acho que o Estado tem que ser o pai ou que anda connosco nas mãos. Temos que apostar, crescer”, disse, refutando a qualquer ideia de que existiu “demasiado turismo” em Portugal.

“Toda a cadeia de valor, que é toda a gente, desde Ministério das Finanças, hospitais, ninguém pode dizer que não precisa do turismo”, frisou.

Já José Costa Rodrigues, CEO da Bindopor, deixou conselhos sobre a receita para entrar em mercados externos. “Associar-se a outras empresas que já operem no mercado internacional”, disse, é “a forma mais eficiente e menos dramática” de o fazer, considerando que “a palavra entre pares valida um fornecedor de forma muito significativa. Todo o trabalho empresarial é um trabalho de persistência”.

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