Políticas laborais: Posição da esquerda é um “erro profundo”, avisa Governo

“Muita coisa já mudou, julgo que é um erro, até um erro profundo, ignorar o que já mudou”, realçou Vieira da Silva.

Cristina Bernardo

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, considerou hoje um “erro profundo” a posição por vezes adotada pelos partidos que apoiam a solução de Governo, ao “ignorar” o que já foi alterado em termos de políticas laborais.

“Muita coisa já mudou, julgo que é um erro, até um erro profundo, ignorar o que já mudou, e mudou a política de salário mínimo, mudou a política para a contratação coletiva, mudou a política ativa de emprego. Os apoios ao emprego são hoje diferentes, muita coisa já mudou no mercado de trabalho com este Governo e as mudanças vão continuar”, disse.

O ministro, que falava à agência Lusa em Portalegre, à margem da sessão de encerramento da conferência internacional “Qualificação, Emprego e Desenvolvimento Territorial”, promovida pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo”, lamentou ainda a forma como “por vezes se desvaloriza” as alterações já efetuadas em termos de políticas laborais.

“Agora não posso garantir que todas elas correspondam [políticas laborais] à posição de cada um dos partidos, porque é sabido que todos os partidos que apoiam esta solução de Governo não têm sobre todos os aspetos a mesma posição. Agora, julgo que, por vezes, se desvaloriza a dimensão do que já foi mudado”, sublinhou.

Para Vieira da Silva, “o mais importante” passa pelo que tem sucedido nos últimos dois anos, observando que o crescimento de postos de trabalho tem sido uma realidade, sendo esta “a grande mudança” das relações laborais.

“O mais importante é que nós hoje, face há dois anos (…), temos mais de um quarto de milhão de postos de trabalho do que tínhamos e essa é a grande mudança das relações laborais”, sublinhou.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, avisou na quinta-feira que sem se alterar a legislação laboral, para combater a precariedade e ter contratação coletiva, é posta em causa a recuperação de rendimentos que tem conduzido ao crescimento económico e criação de emprego.

Questionado sobre esta matéria, Vieira da Silva escusou-se a comentar as declarações de Catarina Martins, recordando que existe um programa que foi negociado com os partidos que apoiam a solução governativa, e que são esses acordos e programa de Governo que “vão guiar” a ação do executivo.

“Nós faremos as mudanças que forem necessárias, não temos que ter todos a mesma opinião”, acrescentou.

Ler mais

Relacionadas

Alterações laborais vão avançar em linha com programa do Governo, realça Vieira da Silva

“Não estamos obviamente satisfeitos, continuaremos o trabalho e faremos as mudanças da legislação laboral em linha com aquilo que está comprometido no programa do Governo”, afirmou o ministro do Trabalho.

Vieira da Silva admite mudanças na lei laboral ainda este ano

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social acredita que possa haver mudanças nas relações laborais ainda este ano. O Governo apresentou esta quarta-feira aos parceiros sociais um documento com perguntas sobre as soluções para a contratação coletiva.

Bruxelas reitera que lei laboral portuguesa está a limitar contratos permanentes

Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, uma porta-voz da Comissão Europeia reiterou que Bruxelas “reconhece que alguns aspetos do enquadramento legal para os despedimentos podem, de facto, desencorajar as empresas a contratar trabalhadores com contratos sem termo”.

Bruxelas avisa Portugal: lei laboral limita contratos permanentes

Portugal ainda tem espaço “para ir mais longe em reformas que reduzam a proteção laboral excessiva nos contratos permanentes”, realçou a Comissão Europeia em relatório.
Recomendadas

Euro segue acima de 1,21 dólares em máximo de dois meses  

O euro subiu esta sexta-feira para máximos de dois meses face ao dólar, após terem sido divulgados dados fracos do emprego nos Estados Unidos, que devem afastar a possibilidade de uma redução em breve dos estímulos monetários.

ISEG estima que economia portuguesa cresça até 4,5% em 2021

Os economistas desta facultade de economia anteveem, numa primeira análise, que o crescimento homólogo do PIB português no segundo trimestre se deverá situar entre os 10% a 15%.

Falta de mão de obra limitou crescimento do emprego nos Estados Unidos em abril

As empresas do sector não agrícola contrataram só 266 mil empregados, depois dos 770 mil verificados no mês de março. A taxa de desemprego subiu para os 6,1% em abril, mais 0,1 pontos percentuais do que o registado no mês anterior.
Comentários