Portugal atrasado na implementação de metodologia que baixa custo da construção civil

“Os célebres trabalhos a mais e as conhecidas derrapagens financeiras dos projetos, onde se incluem naturalmente as obras públicas, ficam próximas do zero [com o BIM]”, salienta à agência Lusa Mário Velindro, que lamenta o atraso na implementação desta metodologia em Portugal.

Reuters

Portugal não está a aproveitar o Modelo de Informação na Construção (BIM em inglês), uma metodologia em vigor nos países mais desenvolvidos, que permite poupanças significativas na construção civil e obras públicas e ainda evita derrapagens financeiras.

A constatação é de Mário Velindro, presidente do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), que vai ser a primeira escola nacional a formar nesta área os futuros engenheiros civis, eletrotécnicos, mecânicos ou informáticos, através do seu laboratório BIM.

“Os célebres trabalhos a mais e as conhecidas derrapagens financeiras dos projetos, onde se incluem naturalmente as obras públicas, ficam próximas do zero [com o BIM]”, salienta à agência Lusa Mário Velindro, que lamenta o atraso na implementação desta metodologia em Portugal.

Para o presidente do ISEC, não há razões para Portugal continuar excluído da utilização de um modelo que, “segundo estudos internacionais, permite margens de redução de custos na ordem dos 20%, o que é significativo em investimentos de muitos milhões de euros”.

Através da metodologia BIM, é possível representar virtualmente “todo o ciclo de construção de um edifício, integrando as intervenções de todas as especialidades, desde o projeto até à entrega das chaves”.

“Trata-se de uma construção virtual a três dimensões equivalente a uma edificação real, com detalhes que vão desde a composição dos materiais de cada elemento, a portas, janelas, paredes, condutas, cablagens, até pormenores interiores”, explica Mário Velindro.

Neste processo, os arquitetos e engenheiros elaboram os seus projetos virtuais, cada um na sua especialidade, que depois são agrupados para dar lugar às correções necessárias, eliminando sobreposições, incompatibilidades ou ambiguidades.

Por exemplo, descreve Mário Velindro, “se o engenheiro de estruturas pretender colocar um pilar no local onde o arquiteto quer colocar uma janela, a comunicação entre os dois através da visão comum do projeto permitida pelo BIM leva a que, de imediato, percebam que têm de encontrar uma solução que resolva a sobreposição”.

Segundo afirmou, países como Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos da América, China e Brasil já utilizam esta metodologia, que foi pela primeira vez usada por uma empresa de ‘software’ em 1987.

“Não é, portanto, um assunto novo, nem nasceu com a digitalização, nem com a Indústria 4.0”, frisa o presidente do ISEC, acrescentando que muitos concursos internacionais já requerem que a candidatura seja feita em BIM.

No entanto, Mário Velindro adverte para que não se confunda o BIM com um ‘software’, porque, “na realidade, trata-se de uma metodologia de gestão, que utiliza vários ‘softwares’ tridimensionais disponíveis no mercado”.

O ISEC vai passar a ensinar esta metodologia aos alunos das suas licenciaturas em engenharia, na modalidade de “Suplemento ao Diploma”, previsto no Processo de Bolonha, que reformou o ensino superior na Europa e que, em Portugal, entrou em vigor a partir de 2006.

“Ao ser a primeira escola de engenharia portuguesa a formar em BIM, o ISEC está a fazer duas coisas: torna os futuros engenheiros mais competitivos no mercado nacional e internacional, e contribui para que a construção civil e obras públicas em Portugal tenham enormes ganhos de eficiência e atinjam poupanças da ordem dos 20% nos seus custos finais”, frisou.

De acordo com Mário Velindro, com o seu laboratório BIM, que será sobretudo frequentado por estudantes de engenharia civil, mas que interessa a todas as engenharias, “o ISEC coloca-se na linha da frente das escolas de engenharia portuguesas”.

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