É inegável que Portugal possui hoje um conjunto de instituições tecnológicas e científicas de elevada qualidade, que tem vindo a trabalhar cada vez mais próximo das empresas, encontrando soluções para os seus problemas.

Também é evidente o salto que o país deu em termos de empreendedorismo qualificado, tendo Portugal hoje um conjunto significativo de “unicórnios” com origem nacional, mas também conseguindo atrair centros de investigação e de desenvolvimento internacionais e nómadas digitais, que tiram partido das condições que por cá existem para trabalhar e viver.

Esta mudança gradual no “sistema de inovação” tem contribuído para alterar o perfil de especialização da economia portuguesa. Temos hoje mais empresas e entidades que produzem e exportam conhecimento e bens intangíveis, sendo já significativo o seu impacto na economia.

Em 2021, Portugal bateu todos os recordes em termos de vendas ao exterior de patentes, marcas, I&D e outros direitos e serviços de natureza técnica, atingindo os 3,97 mil milhões de euros, o que se traduziu num saldo positivo na “Balança de Pagamentos Tecnológica” (BPT) de cerca de 1,3 mil milhões de euros, o maior saldo positivo de sempre. As “exportações de conhecimento” foram superiores em 65% às registadas em 2020, três vezes mais face a 2019 e quase seis vezes mais face às exportações registadas em 2018! Em 2021, a taxa de cobertura foi de quase 50%, ou seja, as exportações foram cerca de 50% superiores às importações do país em termos de conhecimento.

Para se ter uma ideia do que isto significa, basta dizer que o valor destas exportações baseadas no conhecimento é superior ao total de exportações da Cortiça (1,13 mil milhões de euros), do Vinho (930 milhões) ou do Calçado (1,67 milhões de euros) em 2021.

 

 

Mas se olharmos para as diferentes componentes da BPT, constatamos que se continua a registar um desequilíbrio em termos daquilo que exportamos e importamos. Nos serviços de natureza e assistência técnica, Portugal exporta mais do que importa, com saldos positivos que se têm vindo a consolidar. O mesmo acontece com os serviços de investigação e desenvolvimento, que desde 2019 passaram a ter um saldo positivo, com as exportações em 2021 a serem superiores em 36% em relação a 2019.

Onde Portugal apresenta um saldo negativo (desde sempre) é na componente de “Direitos de aquisição e utilização de patentes, marcas e direitos similares”, onde as exportações representaram 16,4 milhões de euros em 2021, mas as importações ultrapassaram os 476 milhões de euros.

Estes dados mostram onde é preciso atual com mais insistência e de forma mais eficaz. Sabemos que não é fácil e que demora tempo termos uma base maior de empresas que protejam e que – o mais importante – valorizem o conhecimento que produzem, quer seja através do licenciamento de marcas e patentes, da sua venda ou da criação de spin-offs para a sua rentabilização e criação de novos mercados.

O desenho e uma boa implementação das políticas públicas é fundamental, mas é também importante que do lado das empresas haja competências e estratégias para que tal aconteça, onde as nossas infraestruturas tecnológicas podem ser um precioso aliado do tecido empresarial.