Portugal cai seis posições no ranking global de competitividade em 2018

Portugal sofreu a maior queda entre os países europeus, causada sobretudo pela redução do investimento público na educação e pelo abrandamento na transformação digital nas empresas. IMD World Competitiveness Center coloca Portugal no 39.º lugar de um ranking liderado por Singapura, Hong Kong e Estados Unidos.

Rafael Marchante/Reuters

Portugal desceu para a 39.ª posição do ranking global de competitividade do IMD World Competitiveness Center relativo a 2018, que está a ser divulgado nesta terça-feira. Para a queda de seis posições em relação ao ano anterior, que foi a mais abrupta entre os países europeus, contribuíram sobretudo a educação (passou da 22.ª para a 28.ª posição), nomeadamente devido à redução de um ponto percentual no investimento público, e o abrandamento da transformação digital nas empresas.

Entre os pontos com impacto mais positivo para Portugal encontram-se o 19.º lugar na categoria de infraestruturas, particularmente na área da saúde e do ambiente, bem como o 26.º lugar no que diz respeito ao comércio externo. Também se destaca a legislação relativa aos negócios, em que o país surge em 19.º lugar num conjunto de 63 países.

No entanto, para a 39.ª posição no ranking liderado por Singapura, Hong Kong e Estados Unidos, e cuja elaboração contou com a parceria da Porto Business School, teve peso a manutenção de Portugal em posições relativamente baixas no desempenho económico. Ainda assim, o nível de emprego melhorou ligeiramente, verificando-se uma subida da 51.ª para a 48.ª posição em 2018, contando para tal com decréscimos no desemprego jovem (de 23,9 para 20,3 por cento) e no desemprego de longo termo (de 5,1 para 3,6 por cento). E também as finanças públicas registaram uma pequena melhoria, passando da 54.ª para a 53.ª posição global.

Entre os desafios que a economia portuguesa enfrenta, segundo os autores do ranking, estão a redução estrutural do défice público, necessária para obter um excedente orçamental permanente e reduzir a dívida pública numa perspetiva de longo prazo. De igual modo, torna-se necessária uma estratégia nacional de transformação digital, um sistema burocrático mais eficiente e uma maior aposta na formação na área das ciências, tecnologias, matemática e engenharia, para “desenvolver nas novas gerações competências e responsabilidade para abraçar as novas tecnologias emergentes”.

Entre os indicadores considerados mais atrativos na economia portuguesa num inquérito realizado pelos autores do ranking a decisores destacam-se a existência de mão-de-obra qualificada (77,8 por cento), os custos competitivos (76,4 por cento), as infraestruturas (68,1 por cento), a atitude aberta e positiva (54,2 por cento) e a estabilidade e previsibilidade políticas (43,1 por cento)

O ranking IMD World Competitiveness Center existe desde 1989 e engloba 235 indicadores de 63 economias de vários continentes, levando em conta estatísticas ligadas ao desemprego, produto interno bruto e despesas públicas com saúde e educação, bem como uma pesquisa de opinião que abrange tópicos como a coesão social, globalização e corrupção. A informação divide-se em quatro categorias (desempenho económico, infraestruturas, eficiência do governo e eficiência empresarial) para dar uma nota final a cada país.

Os autores do documento sublinham que a Europa teve um mau ano no que toca à competitividade, sendo uma das raras exceções a Irlanda (subiu para o sétimo lugar do ranking), enquanto a incerteza quanto o Brexit fez com que o Reino Unido descesse três posições, para o 23.º lugar. No entanto, o país europeu com posição mais elevada no ranking de 2018 foi a Suíça (em quarto lugar), e entre os dez melhores também houve lugar para a Holanda (em sexto), Dinamarca (em oito) e Suécia (em nono).

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