Portugal deve reforçar políticas de integração de migrantes para garantir “sobrevivência demográfica”, critica autarca de Óbidos

“Estamos longe de uma integração, tanto na administração central e local. Isto porque não são dadas as condições precisas, a nível da habitação e acesso à educação, no processo de acolhimento dos imigrantes”, criticou Humberto Marques, fazendo uma critica também às políticas de integração do concelho.

Portugal tem sido um ponto de chegada para muito imigrantes nos últimos anos. Em 2019, o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA), do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) dava conta de um aumento de 23% em relação ao ano anterior, tendo sido contabilizados 590.348 cidadãos estrangeiros com título de residência válido. Naquele ano, foi o o valor mais elevado desde 1976.

Segundo Sónia Pereira, do Alto Comissariado para as Migrações, o perfil de imigrantes tem vindo a mudar. Embora continue a ser, tradicionalmente, por motivos económicos, atualmente já existe um aumento do número de jovens estudantes e reformados que escolhe Portugal como destino para imigrar.

“No caso do Alentejo, que sempre contou com fluxo migratórios, internos, começou-se a registar recentemente fluxos migratórios internacionais para dar resposta à necessidade de mão de obra no sector agrícola quando ela é exigente”, referiu a alta comissária durante a sua intervenção na Mesa Redonda da terceira conferência do ciclo “Conhecer para Decidir, Planear para Agir”, promovido pela Lusomorango e pela Universidade Católica Portuguesa, na qual o Jornal Económico é media partner.

No concelho de Óbidos, onde se contabilizam 14 mil habitantes, essa é uma realidade clara uma vez que “grande parte do PIB circunscreve-se ao turismo e agricultura, sectores exigentes a mão de obra”, segundo Humberto Marques, presidente da Câmara Municipal de Óbitos, que refere ter-se registado um aumento de imigrantes brasileiros e asiáticos nos últimos anos.

E embora os indicadores sugiram que esses números continuem a aumentar, o autarca aponta que o grande problema, tanto a nível regional, local e nacional, no que toca aos imigrantes é a sua integração.

“Estamos longe de uma integração, tanto na administração central e local. Isto porque não são dadas as condições precisas, a nível da habitação e acesso à educação, no processo de acolhimento dos imigrantes”, criticou Humberto Marques, fazendo uma critica também às políticas de integração do concelho.

“É esta integração que nós enquanto país precisamos de fazer para a sobrevivência demográfica, não para o seu crescimento”, reforçou, acrescentando que devem ser garantidas as condições de habitação, educação, acesso à saúde, ao emprego e lazer.

Nesta matéria, é importante, não só as autarquias e os Governo criarem iniciativas que consigam dar resposta a estes factores, mas também criar relações bilaterais.

“A maioria do pensamento ideológico está subjacente aos planos de ordenamento de território que procura mandar para as grandes cidades essa oferta”, reforçou, acrescentando que a Covid-19 veio realçar a importância da dinamização desta oferta ser alargada ao resto do território.

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