A possibilidade de Portugal crescer acima de 2% este ano é cada vez mais diminuta, aponta o Fórum para a Competitividade, dado o arranque fraco no primeiro trimestre e a deterioração sucessiva do panorama internacional. Esta visão coincide com as palavras recentes do ministro da Economia, que admitiu pela primeira vez que a previsão de 2,4% para 2025 pode não ser atingida.
Na nota de conjuntura de junho, o Fórum destaca novamente o fraco primeiro trimestre da economia nacional, quando o PIB recuou 0,5% em cadeia, e argumenta que nem a recuperação “entre 0,2% e 0,5%” impedirá um resultado abaixo de 2% no final do ano. A juntar a isto, o cenário do comércio internacional continua a piorar com a iminência de tarifas e a paz tremida entre Israel e o Irão.
“A sucessiva deterioração das perspectivas externas e o resultado fraco do 1º trimestre colocam o PIB longe de atingir os 2% em 2025, em linha com a generalidade das previsões que têm vindo a ser divulgadas”, lê-se na nota, que sublinha como “esta elevada incerteza paralisa as decisões de investimento, de contratação e de realizar grandes compras, penalizando a economia”.
Estes alertas surgem após a admissão do ministro Manuel Castro Almeida de que os 2,4% projetados para este ano estão cada vez mais difíceis. Apesar de projetar “uma normalização do crescimento”, o responsável pelas pastas da Economia e Coesão Territorial abriu a porta a que não se cumprisse o objetivo de 2,4%, mas reforça a visão de que o país crescerá acima de 2%.
O programa do Governo até merece elogios do Fórum, sendo visto como “ambicioso e vai na direção certa de aumentar o potencial de crescimento da economia, para permitir um aumento sustentado dos salários e do nível de vida, mas, por um lado, o quadro parlamentar não é o mais favorável e, por outro, a generalidade das medidas só poderá produzir resultados a médio prazo”.
Acresce a isto questões como os atrasos na implementação do PRR e o apagão de 28 de abril, que pesam negativamente sobre a prestação económica este ano. Já a redução do IRS “poderá estimular o consumo privado, mas com intensidade limitada”, enquanto a redução das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) também terá um impacto menor dada a incerteza que impede o investimento.
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