Portugal regista novo mínimo de sempre para emitir dívida a 10 anos

O IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e Dívida Pública emitiu mil milhões de euros em dívida a longo prazo. Portugal voltou a renovar mínimos nos custos de financiamento, na emissão de Obrigações do Tesouro a 10 anos.

Portugal registou esta quarta-feira um novo mínimo de sempre na emissão de Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos ao pagar uma taxa de alocação de 0,264% para emitir 600 milhões de euros.

Num leilão duplo, o IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e Dívida Pública emitiu ainda 400 milhões de euros em OT a 15 anos, tendo pago uma taxa de juros de 0,676%. No total, a instituição liderada por Cristina Casalinho emitiu mil milhões de euros, tendo no anúncio do leilão estabelecido um montante global indicativo entre mil milhões de euros e 1.250 milhões.

Portugal renovou assim mínimos nos custos de financiamento. No último leilão comparável de OT a 10 anos, a 10 de julho, a agência liderada por Cristina Casalinho emitiu 753 milhões de euros, com uma taxa de alocação de 0,51%, tendo a procura superado a oferta em 1,58 vezes. Já no último de OT a 15 anos, a 12 de junho, Portugal emitiu 625 milhões de euros com uma taxa de alocação de 1,052%, tendo a procura superado a oferta em 1,63 vezes.

Relativamente à procura, nas OT com maturidade em junho de 2029 superou a oferta em 2,11 vezes, já nas OT com maturidade em abril 2034 superou a oferta em 2,30 vezes.

“As yields das dívidas soberanas europeias têm atingido records mínimos sem precedentes”, salienta Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.

Portugal continua nomeadamente a beneficiar da política monetária do Banco Central Europeu e, com a ameaça de uma recessão da pairar no ar, da possibilidade dos bancos centrais avançarem com novas medidas de estímulo económico.”Espera-se que o Banco Central Europeu amanhã baixe as taxas de juro e anuncie um novo pacote de estímulos, para ver se conseguem levar a inflação de volta aos 2%. Na próxima semana espera-se um movimento semelhante por parte da Reserva Federal, corte de taxas”, refere o analista.

“Portugal é que continua a beneficiar com as taxas de juro baixas e vai renovando a sua dívida com yields cada vez mais baixas, o que tem permitido baixar o custo médio da mesma”, acrescenta.

No mercado secundário, os juros da dívida a 10 anos negoceiam esta manhã nos 0,28%.

[Atualizado às 10h57]

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