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Portugal vai começar a libertar reservas de petróleo

Portugal está entre os mais de 30 países que vão libertar um número recorde de reservas petrolíferas para tentar conter a subida do petróleo que disparou mais de 50% no espaço de um mês.
20 Março 2026, 18h27

Portugal vai começar a libertar as suas reservas de petróleo na próxima semana. A ajuda lusa, coordenada com mais de 30 países, vai tentar conter o disparo dos preços do crude nos mercados

“Aderimos à recomendação da Agência Internacional de Energia. Vamos libertar 10% das nossas reservas. Fizemos um calendário que, salvo erro, começa para a semana”, disse hoje Maria da Graça Carvalho.

“Vamos fazer a libertação coordenada com outros países para poder ter efeito, porque libertar sozinho tem pouco efeito. Vamos esperar que tenha o maior efeito possível”, acrescentou em declarações aos jornalistas.

O barril de petróleo está a subir mais de 2% esta sexta-feira para mais de 111 dólares. O preço do crude já disparou mais de 55% no espaço de um mês.

A gasolina subiu mais de 10%, enquanto o gasóleo subiu mais de 20% em Portugal desde o início da guerra. O gasóleo em Portugal subiu 33 cêntimos, enquanto a gasolina subiu mais de 17 cêntimos.

Para a semana é esperada nova subida: gasóleo 16 cêntimos por litro, com a gasolina a subir 9 cêntimos.

Pelo meio, famílias e empresas fazem contas à vida e olham com inveja para as medidas aprovadas em Espanha que cortam o IVA dos combustíveis, eletricidade e gás de 21% para 10%.

A 11 de março, a ministra do Ambiente tinha garantido que, apesar do acordo entre 32 países, para libertar um recorde de 400 milhões de barris de petróleo, a medida só avançaria se os preços continuassem a disparar.

“Seria sempre quase simbólico, somos muito cautelosos, apenas uma pequena parte. 10% das nossas reservas podem ser libertadas, em conjunto com países da OCDE para fazer face aos aumentos dos preços, mas não será hoje, nem esta semana. Depende da evolução dos preços”, disse na altura.

Já no Médio Oriente, o Irão não está disposto a negociar a abertura do estreito de Ormuz, depois de ataques a infraestruturas e a personalidades do regime.

Entretanto, os EUA preparam-se para enviar mais ‘marines’ e três navios de guerra para o Médio Oriente, sendo de esperar entre 2.200 a 2.500 fuzileiros na região.

Os EUA consideram conquistar a ilha de Kharg por onde passam 90% das exportações de petróleo do Irão, como forma de pressão a Teerão para reabrir o estreito.

Portugal está a “ficar perto dos critérios” para “declarar crise energética”, avisa ministra

Portugal está a ficar “perto dos critérios” para “declarar crise energética”, disse hoje a ministra do Ambiente e da Energia. Se declarada, o Governo toma uma série de medidas para tentar aliviar a fatura energética das famílias.

“Estamos a ficar perto dos critérios em que podemos declarar crise energética. E aí, o primeiro-ministro, o ministro da Economia, eu e todo o Conselho de Ministros vão com certeza ter um conjunto de medidas que estão a ser todas analisadas e quantificadas, de como podemos proteger as famílias, as pessoas, consumidores e também as empresas”, afirmou esta sexta-feira Maria da Graça Carvalho.

Apenas 24 horas antes, o ministro António Leitão Amaro tinha dito que o país estava “longe” desse limiar, revelando a rapidez dos eventos na guerra no Médio Oriente.

Esta sexta-feira, a ministra do Ambiente rejeitou avançar com uma data, apontando que a decisão será tomada mediante a “evolução dos preços”.

“Estamos a contabilizar os impactos, as medidas, quanto é que custam e para depois tomar uma decisão, olhando para o que os outros países estão a fazer, sendo certo que, no nosso caso, o preço da eletricidade está relativamente protegido porque temos 80% de renováveis”, acrescentou em declarações à imprensa, sem entrar em detalhes sobre que medidas podem vir a ser implementadas, apesar de ter sido questionada sobre o corte do IVA para os 10% em Espanha nos combustíveis, eletricidade e gás.

A ministra apontou que o gasóleo é o produto energético mais penalizado, o que se deve ao facto de a refinação ser feita essencialmente naquela zona do Médio Oriente.

No caso do gás, disse que o Governo já aumentou o apoio aos consumidores vulneráveis na botija de gás, mas também o gás para a indústria. “Muitas indústrias precisam de gás no seu processo, vidro, cerâmica, também os fertilizantes. Há uma série de outros produtos que vão necessitar de gás e aí é natural que se tenha de atuar”.

“Mas vamos esperar a declaração de crise energética e isso envolve muito o ministro da Economia. Com certeza, iremos ter medidas se isto continuar nesta evolução. Iremos ter medidas e temos a possibilidade de o fazer com esta diretiva”, que foi aprovada na quinta-feira em Conselho de Ministros.

Questionada se o Governo estava a preparar a recomendação de medidas de poupança energética, como fez hoje a Agência Internacional de Energia, disse que ainda não estavam em “cima da mesa”, apesar de já estarem listadas.

“Estávamos com alguma esperança de que isto [a guerra] não evoluísse neste sentido. Algumas dessas medidas têm um impacto na economia… estávamos a aguardar”, disse.

“Mas temos um conjunto de medidas, desde uma menor utilização dos carros ao domingo, o teletrabalho, o aquecimento e o arrefecimento nos edifícios públicos. Há um programa de poupança energética que temos preparado, caso venha a ser necessário”, afirmou.

“Os combustíveis e o gás são, neste momento, mais importante para nós, porque estamos com a eletricidade bastante controlada. A eletricidade só vai aumentar pelo aumento do gás, porque o resto é renováveis”, segundo a ministra.

A legislação aprovada na quinta-feira pelo Governo prevê para a eletricidade e gás: limitação de preços com introdução de um teto máximo; medidas de crise dirigidas às PME que podem abranger até 70% do consumo do ano anterior; se a fixação de preços ficar abaixo do custo, fica limitada a 80% do consumo mediano das famílias dos três últimos anos.

Apenas 24 horas antes, o ministro da Presidência António Leitão Amaro disse que “neste momento, ainda estamos longe desse limiar. Mas se acontecer, será declarada a crise energética e os governantes ficam habilitados a tomar medidas de apoio aos consumidores domésticos e a empresas, entre as quais intervenções no mercado que incluem a possibilidade de fixar preços de eletricidade abaixo do preço de custo em função da inflação”, disse na quinta-feira.

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