Portugal volta a quebrar recordes ao emitir dívida a 10 anos a 0,51%

Portugal colocou dívida a dez anos à taxa de juro mais baixa de sempre, renovando os mínimos do preço da dívida pela quinta vez consecutiva.

O IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública regressou esta quarta-feira aos mercados e voltou a quebrar um recorde ao colocar 753 milhões num leilão de Obrigações do Tesouro (OT) a dez anos com uma taxa de alocação de 0,51%. Esta foi a quinta vez consecutiva que Portugal renova os mínimos da yield da dívida benchmark.

No último leilão de OT a dez anos, realizado no passado dia 12 de junho, Portugal pagou 0,639% para emitir 625 milhões de euros.

Num leilão duplo, o IGCP emitiu ainda 270 milhões de euros em OT a 26 anos, tendo pago uma taxa de alocação de 1,426%, também um mínimo histórico. Assim, o IGCP colocou 1.023 milhões de euros em dívida a longo prazo.

A maturidade da OT a dez anos é em 15 de junho de 2029, enquanto a maturidade da dívida a 26 anos é em 15 de fevereiro de 2045.

“O prémio de risco de Portugal tem baixado, acompanhando a descida generalizada das yields soberanas europeias onde chegamos a ver os 10 anos alemães abaixo dos -0,4%”, referiu Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco de Carregosa. “Os dados macroeconómicos continuam a mostrar algum abrandamento, as previsões relativas ao crescimento económico têm sido revistas em baixo, o que tem levado os bancos centrais a terem discursos mais contidos sem se vislumbrarem as subidas de taxas que no início do ano pareciam uma certeza.”

O Tesouro pretendia colocar 1.250 milhões de euros. Mas os investidores poderão ter perdido algum interesse nas obrigações portuguesas. Nas OT a dez anos, a procura foi superior à oferta em 1,58 vezes, abaixo do que tinha sido registado no último leilão, no qual a procura tinha sido 1,8 vezes superior à oferta. Na dívida a 26 anos, a procurou foi 1,69 vezes superior à oferta.

A procura mais ligeira poderá ter sido a razão para o IGCP não ter colocado o montante total indicativo para a operação. A agência liderada por Cristina Casalinho tinha apontado para 1.250 milhões de euros, pelo que o valor emitido ficou 227 milhões de euros abaixo dessa meta.

Com a operação que se realizou esta quarta-feira, sobem para cinco os leilões de OT a dez anos realizados este ano pelo IGCP. No total, Portugal já colocou 3.643 milhões de euros de dívida benchmark.

No mercado secundário, as yields da dívida a dez anos também têm registado uma tendência decrescente ao fixarem-se nos 0,50 %.

(atualizada às 11h17)

 

Ler mais

Relacionadas

Portugal “deverá voltar a fazer história” na emissão de dívida a longo prazo

Tesouro realiza esta quarta-feira um leilão duplo de dívida a dez e 26 anos e deverá manter a tendência de financiamento com juros em mínimos históricos.

Inédito: Portugal paga menos de 1% para emitir obrigações a 10 anos

O IGCP emitiu 625 milhões em dívida com maturidade em 2029, tendo pago a taxa mais baixa de sempre: 0,639%. A agência liderada por Cristina Casalinho vendeu o mesmo montante em obrigações com prazo de 2034, com a taxa de alocação a descer para 1,052% face aos 1,563% num leilão em maio.
Recomendadas

Investidores indecisos em Wall Street aguardam primeiro debate entre Biden e Trump

Em Wall Street, o industrial Dow Jones desce 0,29% para 27,505.21 pontos, o generalista S&P recua 0,04% para 3,350.06 pontos e o tecnológico Nasdaq ganha 0,07% para 11,125.46 pontos.

BCP e Altri continuam a manter PSI 20 no ‘vermelho’

Praça lisboeta está agora a cair 0,57%, para 4.064,71 pontos nesta terça-feira, seguindo a tendência das suas congéneres europeias.

BCP, Galp e CTT penalizam PSI 20, que acompanha Europa no vermelho

Entre as 18 empresas cotadas do PSI 20 apenas a Jerónimo Martins (0,25%) negoceia em terreno positivo. Há duas cotadas a negociar sem variação.
Comentários