A Terradue transforma enormes volumes de dados de satélite, provenientes de dezenas de missões espaciais diferentes, públicas e comerciais, em informação útil e prática. Fundada por dois investigadores portugueses, a empresa permite transformar imagens de satélite em inteligência acionável em menos de 80 minutos, algo impensável até há poucos anos. “Trabalhamos com dados óticos, radar e de outros sensores, integrando e processando informação de múltiplas fontes para criar soluções adaptadas a cada desafio, desde apoiar a gestão de grandes infraestruturas até responder a desastres naturais ou desenvolver políticas de sustentabilidade”, diz Pedro Pereira Gonçalves, CEO da Terradue, ao Jornal Económico.
A plataforma já foi ativada em 220 emergências ao redor do mundo — incluindo inundações, sismos e deslizamentos de terras. “Em novembro de 2024, durante cheias em Espanha, produzimos mapas de inundação precisos em poucas horas, permitindo priorizar evacuações e proteger infraestruturas. Em setembro de 2024, na Nigéria, combinámos imagens radar e óticas para avaliar riscos na bacia do Rio Benue, informação que ajudou as autoridades a planear respostas em zonas críticas. Estes resultados foram entregues dentro de prazos operacionais definidos com as instituições que dependem de nós, assegurando que a informação crítica chegue ao terreno no tempo certo para fazer a diferença”, acrescenta Fabrice Brito, cofundador da Terradue.
Com sede em Roma e presença em França, a Terradue conta com 18 colaboradores e aposta num modelo de inovação colaborativa, alinhado com a soberania digital europeia. “O nosso ambiente operacional consegue transformar dados brutos de satélite em produtos prontos para decisão, como mapas de cheias ou análises de impacto, em menos de 80 minutos. Este tempo não é arbitrário: corresponde a um compromisso operacional (Service Level Agreement) exigido por organizações internacionais, agências de proteção civil e instituições que dependem da nossa informação para atuar no terreno. É possível reduzir ainda mais, mas o valor atual assegura o equilíbrio ideal entre rapidez, qualidade e fiabilidade dos resultados, garantindo que cumprimos de forma consistente as expectativas e requisitos de quem confia em nós em momentos críticos”, afirmam os investigadores.
A Terradue está igualmente a analisar um conjunto de oportunidades estratégicas em Portugal, com vista ao estabelecimento de parcerias com empresas tecnológicas, entidades públicas, autarquias e instituições académicas. “Estamos também a identificar um conjunto de oportunidades em Portugal, onde vemos potencial para colaborar com empresas tecnológicas, organismos públicos, municípios e universidades — não só na área da gestão de risco, mas também em domínios como ordenamento do território, clima, água e floresta”, acrescentam os fundadores da empresa.
A empresa é reconhecida como parceira-chave da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Comissão Europeia, liderando projetos como o ESA Charter Mapper, a Geohazards Exploitation Platform e a Copernicus LAC Platform. “Portugal reúne condições únicas para se afirmar como um hub europeu de inovação geoespacial: talento altamente qualificado, posição geoestratégica privilegiada, políticas públicas alinhadas com a transição digital e verde, e iniciativas como a Atlantic Constellation. A Terradue vê no país um parceiro natural para criar e escalar projetos com impacto global. Estamos abertos a estabelecer parcerias estratégicas com empresas portuguesas, desenvolver joint ventures e promover investimentos conjuntos que acelerem a criação de soluções geoespaciais inovadoras. Com a nossa experiência internacional e tecnologia interoperável, podemos reforçar o papel de Portugal como referência europeia no setor espacial e na economia de dados”, concluem.
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