Portugueses pediram 19 milhões de euros emprestados por dia até abril

Apesar dos valores diários, o montante do crédito ao consumo nos primeiros quatro meses do ano ficaram 3% abaixo de igual período no ano anterior, e foi a primeira vez, desde 2012, que se registou uma ligeira quebra no financiamento das famílias. Ao mesmo tempo, o secretário de Estado Adjunto do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, alertou para o “agravamento” dos incumprimentos, em especial, dentro do crédito ao consumo.

Cristina Bernardo

Entre janeiro e abril, foram foram concedidos cerca de 2,3 mil milhões de euros em crédito ao consumo. Feitas as contas, “foram emprestados mais de 19 milhões de euros por dia no crédito ao consumo”, disse Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto do Tesouro e das Finanças.

Ainda assim, o montante do crédito ao consumo ficou 3% abaixo do período homólogo, sendo “a primeira vez desde 2013 que assistimos a uma quebra ligeira do montante do crédito ao consumo”, frisou o secretário de Estado.

Os números foram apresentados na manhã desta terça-feira, após a apresentação do estudo “Impacto crédito ao consumo na economia portuguesa”, elaborado pela Nova Business School of Economics e pela Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), e Mourinho Félix

Entre os 19 milhões de euros pedidos pelos portugueses diariamente nos primeiros quatro meses do ano, “oito milhões se destinaram ao crédito automóvel”, salientou Mourinho Félix. Estes valores comparam com o ano de 2012, em que, “por exemplo, o crédito ao consumo, em média, não alcançava os 9 milhões de euros por dia e desses apenas 3 milhões de euros se destinavam à compra de automóvel”, explicou.

Esta comparação traduz a diferença “significativa” do papel do crédito ao consumo “em períodos de contração da economia e em períodos de expansão da economia”, disse Mourinho Félix.

No primeiro caso – em períodos de contração económica – o crédito ao consumo adota um papel “social importante no alisamento do consumo corrente e na manutenção de um certo nível de vida dos cidadãos, mantendo o seu bem-estar”. E, em períodos de expansão sa economia, “crédito ao consumo é utilizado de uma forma mais relevante para a aquisição de bens duradouros, nomeadamente para a aquisição de automóvel”, explicou o secretário de Estado.

Apesar dos valores registados nos primeiros quatro meses do ano, o secretário de Estado do Tesourou e das Finanças reforçou a ideia de que “mais do que um setor do crédito ao consumo exuberante, é preciso ter um setor especializado no crédito ao consumo que atue de forma responsável e que continue a contribuir para o crescimento da economia”.

Neste sentido, Mourinho Félix frisou o “elevado nível de endividamento das famílias portuguesas”, que se encontra “acima da média da zona euro”, e que é apontado como “uma vulnerabilidade da economia portuguesa”. Isto, explicou, numa altura caracterizada “por taxas de juro baixas”.

O secretário de Estado também alertou para o agravamento do incumprimento das prestações dos empréstimos das famílias. Neste contexto, “crédito ao consumo é responsável por nove em cada dez incumprimentos”, revelou.

Assim, se é verdade”são necessários consumidores informados”, “também não é menos verdade que as políticas de concessão de crédito menos restritivas são normalmente associadas a maiores taxas de incumprimento”, disse Mourinho Félix.

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