Powell não sacia curiosidade sobre novo corte de juros

Presidente da Reserva Federal norte-americana considerou que a economia norte-americana está num bom momento, no entanto, reconheceu que as incertezas provocadas pela guerra comercial colocam um novo “desafio” à ação do banco central.

EPA/JIM LO SCALZO

As atenções dos mercados e analistas estavam centradas no discurso mais aguardado desta sexta-feira em Jackson Hole, mas Jerome Powell não saciou a curiosidade de mais detalhes sobre a ação futura da Reserva Federal norte-americana e centrou-se antes no “desafio” resultante da incerteza provocada pela guerra comercial.

“Temos muita experiência em abordar desenvolvimentos macroeconómicos típicos deste enquadramento. Mas encaixar a incerteza da política comercial nessa estrutura é um novo desafio”, admitiu Powell.

No entanto, o presidente do banco central norte-americano destacou o bom momento da economia norte-americana. “Ao longo do ano, temos monitorizado três factores que têm pesado nas perspetivas favoráveis: abrandamento do crescimento mundial, a incerteza da política comercial, e a inflação moderada”, disse.

O presidente do banco central norte-americano reconheceu que o crescimento do outlook se tem “deteriorado desde meio do ano passado”, mas voltou a sinalizar que a Fed irá “agir de forma apropriada”.

“Os participantes do Comité reagiram de maneira geral a estes desenvolvimentos e os riscos que eles representam ao reverem em baixa as projeções do caminho apropriado para as taxas de juro”, acrescentou.

No final de julho, a Fed cortou a taxa de juro diretora em 25 pontos base, para um intervalo de 2% a 2,25%. A descida da federal funds rate foi a primeira em mais de uma década e representa uma viragem na política monetária da maior economia do mundo. Desde 2015, a Fed prosseguia num processo de ‘normalização’ dessa política, tendo no ano passado subido a taxa de juro quatro vezes até chegar ao intervalo de 2,25% a 2,50%..

Ler mais
Recomendadas

Depois do BCE, o que vai fazer a Fed? Investidores com reservas deixam Wall Street no ‘vermelho’

O alargado S&P 500 recuou 0,11% para 3.006,16 pontos e o Nasdaq tombou 0,31% para 7.892,95. Apenas o industrial Dow Jones conseguiu manter-se no verde e fechou com uma valorização de 0,14% para 27.219,52 pontos.

S&P mantém ‘rating’ de Portugal, mas sobe ‘outlook’ para positivo

Agência norte-americana manteve a notação financeira de Portugal no segundo grau de investimento, mas subiu o ‘outlook’ de ‘estável’ para ‘positivo’. Política monetária do BCE, juntamente com os ganhos de competitividade em Portugal, melhoraram a resiliência externa da economia e reduziram o custo do serviço da dívida externa, justificou a S&P.

PSI20 fecha semana no ‘verde’ com BCP a ajudar

Por setores, note-se que a banca foi dos mais animados com os espanhóis Sabadell e CaixaBank na linha da frente. BCP aproveitou o ambiente do setor e deu impulso ao PSI20, com uma subida acima dos 4%.
Comentários