Prejuízos da TAP nos próximos dois anos? Governo diz que “não pode simplesmente anuir”

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, acredita que a companhia aérea TAP vai precisar de alguns anos até sair do vermelho e aconselha a empresa a evitar decisões que possam ser “negativas e desrespeitosas” para com próprios trabalhadores.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou esta sexta-feira que o Governo “não pode simplesmente anuir” face aos prejuízos registados pela companhia aérea TAP. O ministro acredita que a TAP vai precisar de alguns anos até sair do vermelho e aconselha a empresa a evitar decisões que possam ser “negativas e desrespeitosas” para com próprios trabalhadores.

“Nós queremos acreditar que há uma estratégia [por parte do Conselho de Administração da TAP], mas era de bom senso não tomar algumas decisões acabem por ser interpretadas de forma profundamente negativa e desrespeitosa pelos portugueses e pelos próprios trabalhadores da TAP”, referiu o ministro aos jornalistas, à margem de um almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal (ICPT) sobre ‘Os desafios da ferrovia: infraestrutura, serviços e indústria’.

Em causa estão as declarações feitas pelo CEO da TAP, Antonoaldo Neves, ao Jornal Económico de que “a TAP não vai crescer durante, pelo menos, os próximos dois anos”. Antonoaldo Neves explica que tal se deve ao facto de de não ter condições para aumentar a sua operação em Lisboa, nem ter garantias de eficiência da infraestrutura aeroportuária que permitam assumir novos compromissos com mais aviões e com a contratação de tripulações para operar esses aviões.

Pedro Nuno Santos diz que o reconhecimento de que, “durante algum tempo, há a necessidade de sofrer as consequências do início da implementação” da estratégia delineada pelo Conselho de Administração da TAP é “uma novidade” e que o Governo não pode cruzar os braços perante isso.

“Os orçamentos, que foram apresentados para 2018 e 2019, prometeram ao Conselho de Administração e, portanto, aos acionistas, que a empresa [TAP] daria lucro. Por isso, a nossa reação não pode ser simplesmente de anuir”, sublinhou o governante.

Segundo dados divulgados pela TAP, a companhia aérea registou prejuízos de 95,6 milhões de euros em 2019, em plena polémica relacionada com os prémios que a companhia paga a alguns dos seus trabalhadores. “Os prejuízos subiram 37,6 milhões face ao ano anterior “em resultado do investimento na renovação da frota sendo os custos relacionados com o processo de transformação da frota de aproximadamente 55 milhões”, justificou a empresa, em comunicado.

“A TAP continua a dar prejuízos avultados. A explicação é que durante um período inicial de nova estratégia a TAP ainda apresente prejuízos, mas só agora é que é assumido publicamente que os próximos dois anos vão dar prejuízos”, referiu Pedro Nuno Santos.

O governante advertiu ainda: “Diz o bom senso que, perante um quadro destes em que é prometido o lucro e o resultado final é de prejuízo acima de 100 milhões de euros, que se abstivessem de distribuir prémios, por respeito para com o povo português e para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP que não vão receber nada”.

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