Partilham o apelido e o gosto pela escrita. Tudo o mais é distinto. Não poderia ser de outra maneira. Ana Margarida de Carvalho foi distinguida com o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2025, pela obra A Chuva que Lança a Areia do Saara, e José Rentes de Carvalho viu-lhe ser atribuído o Prémio de Tributo de consagração de carreira em 2025.
O júri do Prémio Literário Fundação Inês de Castro é composto por José Carlos Seabra Pereira (presidente), Isabel Pires de Lima, Isabel Lucas, Mário Cláudio e António Carlos Cortez. E a cerimónia oficial de entrega de prémios da 19ª edição, que distingue obras de prosa ou poesia escritas em língua portuguesa, terá lugar a 28 de março, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.
Ana Margarida de Carvalho é licenciada em Direito e o seu primeiro romance Que Importa a Fúria do Mar, valeu-lhe o prémio APE 2013. Como jornalista, passou pela SIC e publicou na revista LER, Jornal de Letras, Marie Claire ou Visão, onde também publica crítica cinematográfica. Conquistou vários galardões nessa atividade, como o Prémio Revelação Gazeta (1994), Clube de Jornalistas de Lisboa e Prémio Nacional Abel Salazar (1995), Clube de Jornalistas do Porto e Prémio Nacional Alexandre Herculano (1995) e Prémio Maria Lamas (2000).
Tem reportagens, contos e poemas espalhados por várias publicações e coletâneas e um livro infantil chamado A Arca do É, com o ilustrador Sérgio Marques. Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato é o seu segundo romance, foi considerado livro do ano 2017, nomeado pela SPA, e vencedor do Prémio Manuel Boaventura. Publicou dois livros de contos, Pequenos Delírios Domésticos e Cartografias de Lugares Mal Situados (10 Contos da Guerra). Participa nas antologias Uma Terra Prometida – Contos Sobre Refugiados e Vinte Grandes Contos de Escritoras Portuguesas.
De ascendência transmontana, José Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e o Expresso. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, onde se licenciou, com uma tese sobre Raul Brandão, e foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias.
Ernestina, Montedor, Recordações e Andorinhas, e Diário de um Escritor são algumas das muitas obras que escreveu, entre romances, contos, diário, crónica, guias de viagem e ensaios. Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique em 1991. Autor multipremiado, viu o seu livro Com os Holandeses (1972) ascender ao top dos maiores best-sellers neerlandeses da década de 1970.
O Prémio Literário Fundação Inês de Castro tem vindo a reconhecer o talento de autores como Jorge Reis-Sá (2024), António Lobo Antunes (2022), Rita Taborda Duarte (2023), Daniel Jonas (2021), Jorge Sousa Braga (2020), Djaimilia Pereira de Almeida (2018), Mário de Carvalho (2013), Gonçalo M. Tavares (2011) ou José Tolentino Mendonça (2009).
A cerimónia de entrega dos prémios, a 28 de março, em Coimbra, contará com a presença de Ana Margarida de Carvalho para receber o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2025 e Francisco José Viegas, que receberá o Prémio Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2025 em representação de José Rentes de Carvalho, enquanto seu editor.
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