Presidenciais: Reeleição inequívoca concentrou atenções na luta pelo segundo lugar

Marcelo Rebelo de Sousa tornou-se o primeiro Presidente da República a ser o mais votado em todos os concelhos, enquanto Ana Gomes e André Ventura deram emoção a uma noite eleitoral marcada, como toda a campanha, pela hostilidade entre os dois candidatos.

António Cotrim / Lusa

A noite eleitoral das presidenciais confirmou o enorme favoritismo de Marcelo Rebelo de Sousa, que conquistou 60,7% dos votos, numa subida de 8,7 pontos percentuais em relação a 2016 e que foi acompanhada pela obtenção de mais 121 mil votos num contexto pandémico que reduziu em quase meio milhão o total de eleitores que exerceram esse dever cívico. Com a reeleição para um segundo mandato anunciada desde a divulgação das projeções à boca da urna, a noite eleitoral ficou marcada por uma disputa pelo segundo lugar, na qual a ex-eurodeputada socialista Ana Gomes acabaria por suplantar o deputado e líder do Chega, André Ventura, deixando os restantes candidatos muito distantes.

Destacada pelo vencedor das presidenciais deste domingo foi a necessidade de unir todos os portugueses, prometendo ser “um Presidente próxima, que estabilize, que una e que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus”. Palavras que encerraram uma noite eleitoral em que a hostilidade mútua patenteada pelos outros dois candidatos mais votados pelos portugueses voltou a manifestar-se.

Enquanto Marcelo Rebelo de Sousa foi o mais votado em todos os distritos e regiões autónomas, tornando-se também o primeiro candidato presidencial de sempre a vencer em todos os 308 concelhos, replicando a abrangência de apoios recolhidos entre PS, PSD e CDS, Ana Gomes e André Ventura travaram uma luta em que a candidata independente ficou em segundo lugar nos círculos com mais eleitores (Lisboa, Porto, Setúbal, Braga e Aveiro, bem como Coimbra, Viana do Castelo e Açores), enquanto o líder do Chega a suplantou em Leiria, Santarém, Viseu (e no resto do interior Norte), Faro, na Madeira e em todo o Alentejo.

Para a vantagem de Ana Gomes, que obteve 12,93%, relativos a 536.236 votos, sobre André Ventura, com 11,89% e 493.162 votos, foi decisivo o distrito do Porto, onde a militante do PS – apoiada por escassas figuras do partido, como o ex-candidato presidencial Manuel Alegre, os ministros Pedro Nuno Santos e Ricardo Serrão Santos, o secretário de Estado Duarte Cordeiro e os deputados Tiago Barbosa Ribeiro, André Pinotes Baptista e Pedro Bacelar de Vasconcelos – teve quase mais 57 mil votos do que Ventura.

No seu discurso, Ana Gomes reconheceu ter falhado o objetivo de forçar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta que seria inédita para um Presidente da República em busca de segundo mandato, mas vincou que a sua candidatura serviu para impedir uma “maior progressão da extrema-direita”. Em sentido inverso, André Ventura garantiu que irá manter a promessa que fez aos militantes do Chega e demitir-se da liderança do partido, após não ter conseguido ficar à frente da candidata que “representa o pior que Portugal tem e a esquerda mais medíocre”, prometendo igualmente recandidatar-se.

Derrotado sem apelo nem agravo, o eurodeputado João Ferreira (apoiado pelo PCP e pelo PEV) ficou 2.500 votos abaixo do reduzido número conseguido pelo comunista madeirense Edgar Silva em 2016. E, embora tenha melhorado ligeiramente em percentagem, de 3,95% para 4,32%, os 180.473 eleitores que votaram em si neste domingo não chegaram para impedir que fosse ultrapassado por André Ventura em zonas tão tradicionalmente comunistas como os três distritos alentejanos. Nada que tenha impedido o eurodeputado de considerar que a sua candidatura cumpriu com o objetivo de “afirmar uma visão distintiva sobre o que deve ser o exercício dos poderes do Presidente da República”.

Ainda maior descalabro foi sofrido por Marisa Matias, que repetiu a candidatura de 2016, quando se aproximara do meio milhão de votos (469.526) e chegara a 10,12%, tornando-se a mulher mais votada em eleições presidenciais, mas com um desempenho muito inferior. Restaram à eurodeputada do Bloco de Esquerda 164.731 votos (3,95%), apressando-se a reconhecer que os resultados ficaram “longe dos objetivos”, num cenário em que “a direita está em reconfiguração”.

Na sexta posição, Tiago Mayan Gonçalves, apoiado pela Iniciativa Liberal, chegou a 3,22% e 134.427 eleitores, consolidando o espaço do seu partido, pois mais do que duplicou os votos que lhe abriram as portas da Assembleia da República nas legislativas de 2019. Mas apesar de ter destacado a “corrida bonita” que fez na campanha, e de garantir ter evitado que um espaço político “ficasse sem voz” nas presidenciais, esteve longe de conseguir uma multiplicação de votos semelhante à de André Ventura.

Por último, mesmo sem conseguir igualar os 152.089 votos e 3,28% das presidenciais de 2016, o presidente do partido RIR – Reagir, Incluir, Reciclar, mais conhecido pela alcunha “Tino de Rans”, teve consigo 122.743 eleitores (2,94% do total). E voltou a ser o segundo mais votado em Penafiel, o concelho onde vive, com 13,89% dos votos, apesar de perder para Marcelo Rebelo de Sousa tangencialmente em Rans, freguesia de que chegou a ser presidente, eleito pelo PS. Ao contrário do que sucedera há cinco anos, o Presidente da República reeleito triunfou por 20 votos.

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