Presidente cessante da Câmara do Funchal admite ser difícil assumir-se vereador

Miguel Silva Gouveia mencionou, após ter realizado na segunda-feira o último ato oficial, que tem, na hora de abandonar o cargo, uma “sensação ambivalente”.

Miguel Silva Gouveia, que abandona esta terça-feira, 19 de outubro, a presidência da Câmara do Funchal, admitiu ter sido “difícil” decidir assumir o mandato de vereador porque não teve tempo “para fazer o luto” desta mudança depois das eleições autárquicas.

“É natural para quem está à frente dos destinos da autarquia assumir um papel de vereador”, mas “num ato contínuo, não havendo um hiato, sem existir ‘um período de luto’ é sempre algo difícil”, disse o autarca da coligação Confiança (PS, BE, MPT, PDR e Nós, Cidadãos!), que presidiu à Câmara do Funchal nos últimos dois anos, numa entrevista à agência Lusa.

Na véspera da tomada de posse dos órgãos autárquicos eleitos a 26 de setembro, Miguel Silva Gouveia vai passar as “chaves” do principal município da Madeira para o PSD, coligado com o CDS, oito anos depois de ter assumido a presidência daquela autarquia.

A coligação “Confiança”, liderada pelo PS, perdeu as eleições autárquicas de 26 de setembro, obtendo 39,74% dos votos e elegeu apenas cinco dos onze vereadores do executivo camarário, passando o PSD/CDS a deter a maioria absoluta, com seis eleitos, fruto dos 46,96% da votação obtida.

Falando sobre a dificuldade em gerir os sentimentos depois de ter decidido assumir o mandato como vereador para o qual foi sufragado, argumentou: “Porque num dia estamos a determinar determinadas linhas orientadoras e a delinear projetos e, no dia a seguir, estamos a ver outras pessoas a fazê-lo e fica sempre uma sensação, é quase como ver outra pessoa a criar os nosso filhos, se me permitem a analogia”.

Mas o presidente cessante assegura que sai “com a certeza” de que a equipa “deixa uma cidade muito melhor do que aquela que recebeu em 2013”.

No seu entender, o Funchal hoje é “uma cidade onde a participação cívica é uma realidade, mais sustentável, mais inteligente, com mais inovação, maior modernização administrativa e, acima de tudo, mais solidária e com mais justiça social”, mencionou.

Por isso, sublinha que “há uma sensação de dever cumprido para com a cidade e a própria consciência” porque a sua equipa fez “uma campanha limpa, com elevação, seriedade e com responsabilidade”.

Miguel Silva Gouveia mencionou, após ter realizado na segunda-feira o último ato oficial, que tem, na hora de abandonar o cargo, uma “sensação ambivalente”.

O também engenheiro explicou que está “expectante” em relação aos novos desafios da carreira profissional na Empresa de Eletricidade da Madeira, da qual é quadro e para onde vai regressar, e sente “tristeza por deixar para trás” algumas pessoas com quem trabalhou nos últimos oito anos.

Miguel Silva Gouveia também assegura não estar “desapontado” com os funchalenses que não permitiram que continuasse à frente do município, argumentando que a coligação “teve o mesmo número de votantes de há quatro anos” e aumentou mesmo a votação em comparação com as eleições de 2013.

“Desta vez mantivemos o eleitorado, mas, infelizmente, os nossos opositores coligados conseguiram uma maior expressão”, sublinhou.

Questionado sobre o que terá falhado nestas eleições, opinou que a candidatura “não enveredou por uma campanha populista, onde se promete aquilo que não poderia ser cumprido” e manteve “a responsabilidade e seriedade quer nas propostas, quer na forma de as comunicar à população”.

“Se o que falhou seria alterar a nossa forma de estar e de ser para poder chegar a um eleitorado que eventualmente estaria mais suscetível de ter propostas menos responsáveis, obviamente nós não iríamos alterar a nossa forma de estar”, enfatizou.

No seu entender, “falhou provavelmente o contexto, a conjuntura não foi a mais favorável” e enfrentaram “um adversário que veio coligado pela primeira vez com o CDS, que foi um fator preponderante”, porque, disse, sem essa conjugação de partidos, tudo apontava que a “Confiança” teria vencido novamente as eleições.

Também apontou “o contexto em torno destas eleições particularmente difíceis”, com uma “coligação muito alargada, com fatores externos bastantes fortes a condicionar, nomeadamente a pandemia, um papel bastante presente do Governo Regional nesta campanha” como fatores que acabaram por “ditar este desfecho”.

“Mas, isso não significa que acabe aqui”, reforçou.

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