Diretor-geral da COTEC considera um “mito” que a economia portuguesa não esteja diversificada

O responsável não só rejeita que o turismo seja um entrave ao desenvolvimento da economia portuguesa, como faz questão de sublinhar que “para além do seu interesse específico em termos de contribuição económica, tem também aqui um efeito de tração, notoriedade e crescimento para os outros sectores e para Portugal em geral”.

Jorge Portugal considera que o turismo não tem de ser penalizado por ter um “peso excessivo na economia”. O diretor-geral da Associação Empresarial para a Inovação (COTEC), afirma que um dos principais problemas da economia portuguesa não é a dependência do turismo, mas que as empresas de outros sectores em Portugal são “muito pequenas”.

O responsável participou no quinto ‘Observatório Jornal Económico/Crédito Agrícola’ dedicado ao tema “Os desafios da diversificação da economia”, esta sexta-feira, 12 de novembro.

“O que se passa é que, para uma economia ser razoavelmente diversificada, tem de haver outros sectores. É um mito, na nossa perspetiva, que a economia portuguesa não esteja suficientemente diversificada. Nós temos um conjunto, uma miríade, de sectores industriais transformadores, desde o calçado, ao imobiliário, a metalomecânica, que são sectores exportadores e que têm grande competitividade”, afirma Jorge Portugal.

O responsável não só rejeita que o turismo seja um entrave ao desenvolvimento da economia portuguesa, como faz questão de sublinhar que “para além do seu interesse específico em termos de contribuição económica, tem também aqui um efeito de tração, notoriedade e crescimento para os outros sectores e para Portugal em geral”.

O diretor-geral da COTEC abordou também uma tendência que poderá ajudar a desenvolver a economia portuguesa: a preocupação ambiental e a sustentabilidade. Aqui, Jorge Portugal revela que a associação a que preside tem “centenas de associados que estão posicionados em níveis de atividades e escalas relativamente pequenas, para tirarem toda a eficiência e produzirem aquilo que são os recursos necessários para a utilização do futuro”.

“Falo concretamente de alguns sectores onde isso já acontece e nós vemos empresas inovadoras que investem em conhecimento e que estão a diversificar a sua atividade, não significa apenas estar em todo o território nacional, mas significa também mudar o seu modelo de negócio”, diz.

A título de exemplo, o responsável da COTEC sublinha o papel do sector agrícola que, na sua opinião, é um dos melhores exemplos a nível nacional sobre como a tecnologia pode impulsionar um sector em sintonia com os novos tempos.

“Estamos a ver aparecerem empresas que aplicam tecnologia à agricultura de precisão, ao utilizarem informação e dados para produzirem não só com maior eficiência, mas com maior capacidade de adaptação à alteração da envolvente e, acima de tudo, produzirem produtos de altíssima qualidade. Cada vez estamos a fazer mais com menos, mas eu diria que estamos a fazer mais e melhor com menos recursos e com maior eficiência”, conclui.

Neste evento também marcaram presença Licínio Pina, presidente executivo do Crédito Agrícola, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal e Célia Gonçalves, secretária executiva da Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede de Aldeias de Montanha

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