Presidente do CDS-Açores e líderes distritais pedem que congresso seja desconvocado

Dirigentes afetos a Francisco Rodrigues dos Santos defendem que “legitimidade dos órgãos do partido é indiscutível” e acusam oposição interna de “fazer um tremendo frete ao PS”. Nuno Melo vai reagir publicamente antes da reunião da comissão política nacional marcada para esta noite.

Artur Lima com Francisco Rodrigues dos Santos

Uma carta enviada ao líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, por mais de uma dezena de dirigentes, incluindo o presidente do CDS-Açores e nove líderes distritais, pede a desconvocação do congresso do partido, marcado para 27 e 28 de novembro, no qual o eurodeputado Nuno Melo procura impedir a reeleição do atual líder.

Os signatários do documento, revelado a poucas horas de uma reunião da comissão política nacional, defendem que a “legitimidade dos órgãos do partido é indiscutível” numa altura em que o chumbo do Orçamento do Estado e a “inevitável e imediata” convocação de legislativas antecipadas exigem uma mobilização total para preparar eleições que assegurem uma alternativa de governo.

“A definição de uma estratégia e de um programa eleitoral, a par de uma equipa para apresentar aos eleitores, deve ocorrer em clima de conciliação e de união. Com eleições legislativas num prazo máximo de 60 dias, este não é o tempo adequado para o debate interno”, lê-se na carta enviada por Artur Lima, presidente do CDS-Açores (e vice-presidente do governo regional), pelos presidentes das distritais do Porto (Fernando Barbosa), Aveiro (Ricardo Silva), Coimbra (Jorge Alexandre Almeida), Leiria (Rosa Guerra), Santarém (Pedro Pereira), Setúbal (João Merino), Viana do Castelo (Paulo Sousa), Vila Real (Gonçalo Nascimento Alves) e Viseu (José Pinto), e ainda pelos delegados distritais de Beja, Bragança, Faro e Portalegre, onde os centristas não têm estruturas distritais eleitas.

A hipótese de haver movimentações no sentido de a reunião da comissão política nacional culminar no pedido de um Conselho Nacional com carácter de urgência para votar o adiamento do congresso fora antecipada por Nuno Melo na manhã desta quinta-feira. Numa publicação partilhada no Facebook, o único eleito do CDS no Parlamento Europeu escreveu que “quem queira evitar que o voto dos militantes, num congresso que por vontade própria pediu, com medo afinal de o perder, depois da soberba de quem esmagaria outras alternativas, não terá qualquer legitimidade, nem respeito por si próprio, representando CDS em legislativas perante o país”.

Estando previsto que Nuno Melo se venha a pronunciar publicamente e de forma muito crítica sobre o adiamento do congresso do CDS-PP à entrada para a reunião da comissão política nacional, na qual tem assento na qualidade de representante do partido no Parlamento Europeu, deverá ver-se rodeado por uma maioria de adeptos da solução de encarregar Francisco Rodrigues dos Santos de elaborar as listas de deputados para as próximas legislativas. E também é manifesto que o atual líder centrista conta com apoio maioritário no Conselho Nacional, que poderá decorrer já no próximo domingo, dia para o qual estão marcadas eleições para os delegados ao congresso de Lamego.

Na carta enviada pelos líderes das estruturas regionais e distritais que apoiam Rodrigues dos Santos – entre as quais não se incluem Lisboa (João Gonçalves Pereira), Braga (o próprio Nuno Melo) e Madeira (Rui Barreto) – , é defendido que “a única coisa que os portugueses esperam do CDS-PP é que se foque em oferecer uma alternativa de governo e lhes devolva a esperança”.

Assim sendo, segundo os dirigentes que apoiam a manutenção da atual liderança, cujo mandato terminaria em condições normais no final de janeiro de 2022, “o agravamento por mais de um mês do clima de guerrilha e de adversidade interna a que vimos assistindo desde que o congresso foi convocado” constitui aquilo que dizen ser “um tremendo frete ao PS”.

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