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Presidente moçambicano pede aos juízes que sejam o “gume da faca no combate à corrupção”

“Não há desenvolvimento nem independência económica, que almejamos, sem Justiça. E não há Justiça sem juízes comprometidos com a verdade, com a legalidade e com o bem comum. Ou seja, sem juízes que sejam o gume da faca no combate à corrupção”, disse Daniel Chapo, ao dar posse, na Presidência da República, em Maputo, a novos dirigentes dos tribunais Administrativo (TA) e Supremo (TS).
epa11826051 Mozambique’s President-elect Daniel Chapo holds a flag of the Presidential Pavilion during his inauguration ceremony as Mozambique’s fifth president at Independence Square in Maputo, Mozambique, 15 January 2025. On 23 December, Chapo, 48, was declared the winner of the presidential election by the Constitutional Council (CC) with 65 percent of the vote in the general elections held on 9 October, which included legislative and provincial assembly elections also won by Frelimo. EPA/LUISA NHANTUMBO
4 Junho 2025, 18h48

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje aos juízes para serem o “gume da faca no combate à corrupção”, afirmando que o desenvolvimento do país necessita de magistrados “comprometidos com a verdade”.

“Não há desenvolvimento nem independência económica, que almejamos, sem Justiça. E não há Justiça sem juízes comprometidos com a verdade, com a legalidade e com o bem comum. Ou seja, sem juízes que sejam o gume da faca no combate à corrupção”, disse Daniel Chapo, ao dar posse, na Presidência da República, em Maputo, a novos dirigentes dos tribunais Administrativo (TA) e Supremo (TS).

O chefe de Estado pediu à Justiça ações concretas para combater a corrupção, que admitiu existir nos órgãos públicos.

“Num tempo de profundas transformações, rápidas, a nível do mundo, estamos a falar de transformações económicas, sociais, e tecnológicas, a Justiça moçambicana deve posicionar-se como agente estratégico de desenvolvimento, como promotora da confiança da segurança jurídica e da equidade social”, disse Chapo.

Acrescentou que a “visão” de Moçambique “como um país desenvolvido, justo e competitivo, exige uma Justiça que funcione em pé de igualdade para todos”, resolvendo processos “com celeridade, que promova a paz e que seja em si mesmo exemplo de rigor, integridade responsabilidade, competência e transparência”.

Durante a cerimónia de hoje foi empossada Ana Maria Gemo Bié como presidente do TA, Matilde Augusto Monjane, como vice-presidente do Tribunal Supremo (TS), Carlos Pedro Mondlane, como juiz conselheiro do TS, e Alberto Hawa Januário Nkutumula, eleito pelo parlamento juiz conselheiro do Conselho Constitucional.

“O progresso do país depende de uma Justiça célere, transparente e acessível ao nosso cidadão. Um sistema judicial eficiente é, por natureza, um fator essencial de eficiência económica. As economias modernas assentam em contratos, em direitos e garantias, e na sua previsível resolução em caso de litígio”, alertou o chefe de Estado.

Chapo recordou que “onde o direito não é célere, nem estável, nem previsível, reina a incerteza”, por sua vez “inimiga da produção, do investimento e da geração de oportunidades”.

“Se quisermos afirmar Moçambique como destino seguro para o investimento nacional e estrangeiro, devemos continuar a investir na modernização da nossa Justiça, no reforço da sua capacidade institucional e na valorização do papel dos seus operadores”, defendeu.

Para o Presidente moçambicano, a “consciência” do investidor “depende cada vez mais da perceção” sobre “a solidez das instituições públicas, da integridade dos seus servidores, da integridade do Estado e da eficácia da Justiça”, incluindo “sistemas judiciais previsíveis, imparciais e independentes”, que “as eleições são livres, justas e transparentes”, ou que “em caso de litígio, os diferendos serão julgados com justiça, imparcialidade, celeridade e em tempo útil”.

“Procuram, sobretudo, um ambiente institucional onde o direito não seja uma promessa vazia, mas sim uma garantia efetiva. É neste sentido que reiteramos o nosso apelo ao contínuo fortalecimento da função judicial como pilar estruturante do Estado de direito e da nossa estabilidade democrática, económica, social e ambiental”, pediu o chefe de Estado moçambicano, insistindo na “imparcialidade” dos juízes.

“O juiz independente e imparcial não é um luxo das nossas democracias. É o seu alicerce. Sem ele, a confiança pública desmorona-se. Sem ele, não há paz social sustentável. Sem ele, a Justiça perde o seu sentido e o seu valor. (…) Renovámos também o nosso compromisso com o aperfeiçoamento das condições de funcionamento dos tribunais e do Conselho Constitucional, com a contínua capacitação dos seus quadros e com a valorização ética da nossa magistratura”, disse ainda.


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