Presidente turco quer lançar megabanco para o Islão emergente

O grupo D-8, um bloco de oito países islâmicos emergentes criado em 1997, pode ser a base da criação de um megabanco de investimentos. Ancara quer ainda impor as trocas em moeda nacional – para aliviar a pressão cambial sobre a lira turca.

O presidente turco, Recep Erdogan, defendeu esta quinta-feira a ideia da criação de um megabanco para sustentar as necessidades de liquidez das instituições financeiras islâmicas e para promover condições vantajosas para o financiamento de projetos de desenvolvimento – uma espécie de mistura entre a capacidade de gestão de crédito do Banco Central Europeu e de atribuição de financiamento do Banco Europeu de Investimento.

“Acreditamos que a ideia de um megabanco islâmico baseado numa plataforma online pode ser transformada em realidade para atender às necessidades de liquidez das instituições financeiras islâmicas e às crescentes necessidades de financiamento de infraestrutura da geografia muçulmana ao mesmo tempo”, disse Erdoğan numa cimeira virtual do grupo D-8 Organization for Economic Cooperation.

O D-8 é uma aliança de oito economias islâmicas emergentes – Turquia, Indonésia, Bangladesh, Egipto, Irão, Malásia, Nigéria e Paquistão – formalmente criada em Istambul em junho de 1997, numa cimeira organizada para o efeito. Pensada pelo primeiro-ministro turco de então, Necmettin Erbakan (um nacionalista, tal como Erdogan, que acabou por ser acusado de violar a Constituição ao promover o regresso do islamismo à esfera do Estado turco). Os seus objetivos são a melhoria da posição dos Estados-membros na economia global e a sua influência internacional, a diversificação e criação de oportunidades de relacionamento económico e o aumento dos padrões de vida dos países envolvidos.

Erdogan não deu maiores detalhes sobre o projeto, mas disse que a organização D-8 deve ser atualizada para melhor cumprir as suas funções face às necessidades atuais e ser transformada numa estrutura voltada para projetos e resultados.

Nos últimos anos, o presidente turco manteve negociações com os principais parceiros do país para aumentar o uso da lira turca em transações comerciais, especialmente no comércio bilateral entre a Turquia e os países do D-8. O presidente sugeria que esse uso minimizaria a pressão cambial inerente ao comércio baseado em dólares norte-americanos – o que tem feito com que a lira turca venha a perder valor há cerca de dois anos.

“Para proteger nossos países dos riscos cambiais, é essencial que nos concentremos no comércio com dinheiro local”, observou Erdogan, citado pela comunicação social turca. O presidente turco disse que a mudança para as moedas nacionais revolucionaria as relações comerciais entre os Estados-membros do grupo.

No final da cimeira, o bloco adotou uma agenda para 2020-2030, que prevê o aumento da cooperação comercial. Segundo dados da organização, os países do D-8 agregam um volume de comércio anual de cerca de 1,3 biliões de euros (4,5% do comércio planetário), dos quais apenas 6,5% derivam do comércio intra-D-8.

“É de grande importância que o Acordo de Comércio Preferencial D-8 seja posto em vigor por todos os Estados-membros o mais rapidamente possível”, observou Erdogan – que, já em 2023, quer que o comércio intra-grupo se aproxime dos 500 mil milhões de euros. O grupo afirmou ainda no comunicado oficial final que pretende envolver-se com a ONU num cumprimento da agenda de sustentabilidade 2030 definida pelas Nações Unidas. O presidente turco quer também que a rede D-8 para Investigação e Inovação, labore com mais eficácia em áreas como as energias renováveis, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, Big Data, blockchain e nanotecnologia.

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