A possibilidade de intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão no mercado cambial está a tornar-se uma das histórias do mercado. Se o cenário se confirmar seria a primeira vez em 15 anos em que tal sucedia.
O analista de mercado do MarketPulse, Zain Vawda, referiu que a possibilidade fez com que a moeda japonesa (o iene) valorizasse relativamente ao dólar.
“Esta possível intervenção é uma notícia importante, pois não acontece há 15 anos. Entretanto, o Japão enfrenta a sua própria crise interna, uma vez que a nova primeira-ministra, Sanae Takaichi, planeia aumentar as despesas e cortar nos impostos, o que tem preocupado os participantes do mercado com a dívida nacional japonesa. Por causa de toda esta incerteza, os mercados bolsistas globais estão em dificuldades. Os preços das ações caíram no Japão, e os futuros dos mercados dos Estados Unidos e da Europa também estão em baixa”, disse Zain Vawda na sua análise publicada esta segunda-feira.
Zain Vawda deu também conta que o índice relativo ao dólar mostrou “sinais de fraqueza”, esta segunda-feira, ao atingir o seu nível mais baixo em quatro meses. “Ao mesmo tempo, o iene japonês disparou para o seu ponto mais forte desde novembro. O euro também teve um bom desempenho, atingindo o máximo em quatro meses”, acrescentou o analista de mercado do MarketPulse.
“Estes movimentos expressivos ocorreram devido a relatos de que a Reserva Federal de Nova Iorque estava a monitorizar as taxas de câmbio dólar/iene, uma acção geralmente vista como um sinal de que os Estados Unidos e o Japão poderiam intervir conjuntamente para controlar o mercado”, explica Zain Vawda.
Isso fez com que outras moedas com a libra esterlina, o dólar australiano e o dólar neozelandês também subissem para os seus “níveis mais elevados” em meses, salientou o analista.
No seu gráfico da semana Zain Vawda colocou a relação cambial entre o dólar e o iene. Sobre o assunto o analista da MarketPulse salientou que do ponto de vista técnico o dólar/iene sofreu “finalmente uma correção acentuada” após ter subido desde o mínimo de outubro de 2025, em torno dos 146,60 ienes.
“A correção materializou-se devido à desvalorização do dólar norte-americano e aos crescentes receios de uma intervenção conjunta entre os Estados Unidos e o Japão. Esta seria a primeira intervenção deste tipo em 15 anos. Os mercados têm demonstrado cautela com os comentários do Banco do Japão sobre as intervenções nos últimos anos, mas os rumores de envolvimento dos Estados Unidos deram ainda mais credibilidade a estes relatos desta vez”, destaca Zain Vawda.
Contudo e levando em consideração um inquérito do banco central do Japão (BoJ), publicado esta segunda-feira, e transcrito pela publicação financeira FxStreet, é avançada a hipótese de que a valorização do iene “não se deveu” a uma intervenção por parte da entidades japonesas. A projeção do BoJ, refere a FxStreet, dá conta de uma saída de 630 mil milhões de ienes, um valor que fica “muito abaixo” dos triliões necessários para uma intervenção cambial.
Contudo a notícia, de sexta-feira, de que a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) estaria a solicitar classificações de dólar-iene aos principais bancos americanos, um passo visto como sinalizando uma intervenção no mercado cambial, salienta a FxStreet, levou a que os investidores reduzissem as suas posições compradas em dólares, devido ao receio de serem afetados por uma ação conjunta entre norte-americanos e japoneses.
A isto juntam-se também declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, num programa televisivo onde afirmou que as autoridades japonesas iriam agir contra movimentos especulativos do mercado, algo visto como uma mensagem de apoio à moeda japonesa.
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