O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, classificou, esta quinta-feira, a tarifa de 25 por cento aplicada pelo Presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre todos os automóveis importados como um “ataque direto” ao seu país.
Carney acrescentou que o Canadá responderá de forma unificada e que, embora as tarifas prejudiquem a economia canadiana, está a considerar medidas não tarifárias contra os Estados Unidos.
“Defenderemos os nossos trabalhadores, defenderemos as nossas empresas, defenderemos o nosso país. E defendê-lo-emos em conjunto. Os Estados Unidos estão divididos, e isso é debilitante”, realçou o primeiro-ministro canadiano.
Além das suas próprias tarifas de retaliação, Carney afirmou que o Canadá “tem outras opções”.
“Vou reunir-me com o gabinete amanhã para discutir opções”, vincou o líder canadiano, que reconheceu que ainda não tem a ordem executiva assinada por Trump, pelo que não sabe ao certo o impacto das tarifas.
Carney já tinha alertado hoje que a guerra comercial de Trump “está a prejudicar os consumidores e os trabalhadores americanos e vai doer mais”.
A confiança dos consumidores norte-americanos está há vários anos baixa e a relação entre os EUA e o Canadá está sob mais pressão do que nunca, frisou Carney, durante uma campanha em Windsor, Ontário, antes das eleições de 28 de abril no Canadá.
Já o responsável da província canadiana de Ontário, Doug Ford, onde se encontram as fábricas de montagem de automóveis do Canadá, declarou que quer infligir “o máximo de dor possível” aos norte-americanos para que Donald Trump levante as tarifas sobre o setor.
Ford, que já aumentou o preço das vendas de eletricidade da sua província aos Estados Unidos e até pediu um embargo energético no país vizinho, disse que o Canadá tem duas opções: “Podemos encolher-nos como país e ser dominados até que (Trump) consiga o que quer, ou podemos sentir um pouco a dor e lutar como nunca.”
“Prefiro o último. Acredito na luta, e teremos um grande impacto no povo norte-americano”, acrescentou o líder provincial.
Ford, um político conservador que se declarou admirador de Trump durante a campanha presidencial dos EUA, também observou que o líder republicano está enganado se acredita que as suas políticas tarifárias reduzirão os preços para a população dos EUA.
O Presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou hoje a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre todos os automóveis importados, calculando gerar com a medida receitas fiscais de 100 mil milhões de dólares (93 mil milhões de euros).
“Isto continuará a estimular o crescimento”, frisou Trump na Casa Branca, numa cerimónia de assinatura de uma ordem executiva para tornar aplicação da medida tarifária.
Trump adiantou que as novas tarifas sobre automóveis entrarão em vigor já na próxima semana, a 02 de abril.
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