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‘Príncipe das trevas’ britânico vai tentar encantar Donald Trump

O currículo, ou mais propriamente o enredo ficcional do novo embaixador do Reino Unido nos EUA, é de tal ordem que ninguém conseguiu perceber a opção de Keir Starmer.
FILE PHOTO: Former Labour Party MP and government minister Peter Mandelson waits for a television interview on the opening day of the Labour Party annual conference in Liverpool, Britain, October 8, 2023. REUTERS/Phil Noble/File photo
16 Fevereiro 2025, 19h00

Peter Mandelson é o novo embaixador da Grã-Bretanha em Washington, tendo por função principal tentar manter para o seu país a qualidade de ‘parceiro preferencial’ dos Estados Unidos na Europa. Essa qualidade é evidentemente uma ficção, principalmente no caso do atual presidente Donald Trump, que apoiou declaradamente o Brexit – tendo sido acusado de ingerência em assuntos internos do Reino Unido – para mais tarde destratar a então primeira-ministra conservadora Theresa May quando esta tentou envolver a Casa Branca num grande acordo comercial entre os dois países. Desde que ganhou as eleições por uma margem gigantesca, o atual primeiro-ministro, o trabalhista Keir Starmer, tratou de avivar essa ficção – como ficou mais uma vez demonstrado na Cimeira de Paris para a Inteligência Artificial, onde o Reino Unido foi o único país europeu que recusou, tal como os Estados Unidos, assinar a declaração final.

Quando Mandelson foi chamado a funções, os analistas britânicos perguntaram-se se a escolha do primeiro-ministro seria a mais acertada – dado a sua aparatosa folha de serviços, que parece muito mais um enredo ficcional do que um currículo. Mesmo assim, a conclusão é surpreendente: Trump é tão vaidoso e imprevisível que pode acabar por ter uma boa relação com Peter Mandelson que, basicamente é… vaidoso e imprevisível.

O enredo ficcional de Mandelson – que algures no tempo foi tornado Lord, ostentando por isso um apetrecho nobiliárquico que o fez membro da Câmara dos Lordes – começa pela sua adesão à Young Communist League por via da recusa em apoiar a guerra no Vietname, tendo depois participado, já como presidente do Conselho Britânico da Juventude, no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, organizado pelos soviéticos em Cuba. Mas parece que se endireitou – no sentido político – a partir de 1979. Muitos anos mais tarde, a partir der 2010, já como fundador da Global Counsel, uma empresa de lóbi sediada em Londres, forneceu consultoria em estratégia corporativa para a Shein, a Alibaba e a TikTok, três empresas chinesas que não serão do agrado de Donald Trump.

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