Em termos de produtividade-PIB por hora trabalhada em paridade do poder de compra (ppc) – estávamos em 2000 em 73% da média da União Europeia (UE) e descemos para 69,1% dessa média em 2024. Interessa comparar este indicador com o dos países da UE com um nível de desenvolvimento semelhante ao nosso.

Segundo a análise das Perspectivas Empresariais do 4º trimestre de 2025 do Fórum para a Competitividade, tendo como fonte a OCDE, todos os países do Leste europeu que aderiram à UE tinham esse indicador de produtividade inferior ao nosso, mas em 2024 quase todos já nos tinham ultrapassado! Só tínhamos atrás de nós a Roménia, Letónia, Hungria, Bulgária e Croácia, mas dois deles, Roménia e Letónia, estão numa rápida trajetória de convergência com a UE e vão certamente ultrapassar-nos.

A Roménia e a Letónia tinham, em 2000, respetivamente, 30,1% e 35,6% da média da UE e, em 2024, já tinham, respetivamente, 65,5% e 62,5% dessa média. Em 2024, a Hungria estava já perto de nós (66,9%) e a Croácia, no euro desde 2023, estava nos 61,7%. Francamente abaixo estava a Bulgária, recente aderente ao euro, com 48,1%. Vai ser curioso ver como a Bulgária se comporta no euro. Já tínhamos a experiência grega, que nesse índice de produtividade anda agora apenas pelos 56,7%…

E verifica-se que os países com maior convergência com a UE têm, em geral, níveis de investimento em percentagem do PIB bem superiores aos nossos: Estónia, República Checa, Roménia, Hungria, Letónia, Lituânia, Croácia, Eslováquia e Eslovénia. Neste indicador, apenas a Bulgária e a Polónia estão atrás de nós.

Quanto ao Investimento Público, travado em Portugal para controlar o saldo orçamental, somos o país da União mais dependente dos fundos europeus. Sem esses fundos, designadamente o PRR, quase que já não havia investimento público… Por outro lado, temos tido na economia portuguesa um crescimento do emprego superior ao do Produto, o que confirma essa queda da produtividade.

É também muito preocupante o facto de o capital por trabalhador ter descido 10% entre 2015 e 2024, o que mostra que a produtividade aparente do trabalho tem sido afetada pelo baixo stock de capital à disposição dos trabalhadores.

Termino com uma excelente síntese feita pelo Fórum para a Competitividade sobre este preocupante quadro: “com o emprego a crescer bem acima dos 3%, bastariam aumentos modestos de produtividade para o PIB crescer em torno dos 4%.”