As condições meteorológicas dos últimos meses estão no centro das preocupações. A precipitação intensa e persistente tem dificultado de forma significativa as operações de sementeira e o maneio das culturas em várias regiões do país. Em muitos casos, os agricultores não conseguiram entrar nos terrenos em tempo útil, comprometendo o calendário agrícola e reduzindo o potencial produtivo.
A situação agravou-se com a sucessão de tempestades, que causaram danos em explorações agrícolas um pouco por todo o território. Entre os principais impactos estão a destruição de infraestruturas, a erosão dos solos e a perda de áreas já semeadas.
Mesmo nas parcelas onde foi possível avançar com a instalação das culturas, os prejuízos são significativos. O excesso de água no solo tem provocado encharcamentos e asfixia radicular, levando, em muitos casos, à destruição total das searas. Este cenário acentua a fragilidade económica das explorações agrícolas, já pressionadas por margens reduzidas.
A somar às dificuldades climáticas, os produtores enfrentam um aumento acentuado dos custos de produção. O contexto geopolítico internacional, nomeadamente a instabilidade no Médio Oriente, tem impulsionado a subida dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, essenciais à atividade agrícola.
Perante este quadro, as associações alertam para o risco real de uma quebra significativa na produção nacional de cereais, com potenciais consequências ao nível da segurança alimentar e da dependência externa do país.
Para mitigar os efeitos da crise, ANPOC, ANPROMIS e AOP apelam à adoção urgente de medidas de apoio extraordinário. Entre as propostas apresentadas estão a criação de mecanismos rápidos de compensação pelas perdas de produção, o apoio à recuperação de infraestruturas e ao restabelecimento do potencial produtivo, bem como o alargamento da declaração de situação de calamidade às regiões mais afetadas.
As associações defendem ainda apoios diretos para compensar o aumento dos custos com combustíveis e fertilizantes, a flexibilização de prazos e regras no âmbito das políticas agrícolas e o reforço dos instrumentos de gestão de risco.
Outro ponto considerado crítico é o reforço financeiro do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), de forma a garantir investimentos essenciais à modernização e competitividade do setor. É também proposta a criação de uma medida específica de apoio às Organizações de Produtores (OP), que poderão enfrentar sérias dificuldades financeiras nas campanhas de 2026 e 2027 devido à redução do volume de produção comercializada.
As três organizações sublinham a importância estratégica do setor cerealífero para a economia nacional e para a soberania alimentar, defendendo uma resposta rápida e eficaz por parte das autoridades para assegurar a continuidade da produção em Portugal.
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