Produtores de petróleo começam a pagar para livrar-se da matéria-prima, alerta Commerzbank

O primeiro tipo de petróleo a ser vendido a um preço negativo foi o Wyoming Asphalt Sour, utilizado principalmente para produzir asfalto para pavimentos, segundo a “Bloomberg”.

O preço do petróleo está a cair abruptamente esta segunda-feira, nomeadamente os dois de referência nos mercados globais, que são os que mais ‘mexem’ com o preço dos combustíveis no mundo. A cotação do barril de Brent afunda 8,23%, para 25,64 dólares, enquanto a cotação do crude West Texas Intermediate (WTI) tomba 5,44%, para 20,44 dólares por barril.

“Depois do acordo falhado da OPEP, a partir de quarta-feira, os seus membros estarão desobrigados e poderão aumentar a produção de petróleo. Nem a Rússia nem a Arábia Saudita dão sinais de querer interromper o braço de ferro, com o vice-ministro russo da Energia, Sorokin, a dar a entender que 25 dólares o barril não seriam uma catástrofe para Moscovo”, explica André Pires, analista da XTB, em research de mercado publicado hoje.

No entanto, há variedades mais pesadas de petróleo (com mais teor de cera), como o Wyoming Asphalt Sour, que começaram a vender a preços negativos ou a níveis bem abaixo do Brent e WTI. Ou seja, existem produtores que estão a pagar a refinarias e compradores por cada barril que lhes levam.

Segundo a agência financeira “Bloomberg”, o primeiro tipo de petróleo a ser vendido a um preço negativo foi o Wyoming Asphalt Sour, utilizado principalmente para produzir asfalto para pavimentos. A empresa Mercuria Energy ofereceu 0,19 dólares por barril em meados de março.

Os economistas do Commerzbank alertam igualmente para o problema e, numa nota divulgada pelo jornal espanhol “El Economista”, dão outro exemplo: o petróleo Ural [crude russo] está a negociar atualmente a apenas 15 dólares por barril.

“A situação que os produtores de petróleo do Canadá enfrentam é particularmente desconfortável: o preço do Western Canada Select (WCS) caiu para 5 dólares/barril, o que significa que os custos de transporte excedem o preço do petróleo local. Nalguns lugares, os produtores já precisam de pagar aos clientes para que elevem o petróleo, porque não têm mais capacidade de armazenamento disponível e não querem fechar suas instalações”, referem.

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