O objetivo é a Madeira e o Porto Santo dependerem cada vez menos de combustíveis fósseis. A Agência Regional da Energia e Ambiente da Região Autónoma da Madeira (AREAM) apresentou esta sexta-feira o projeto “Hydrogen for Transports”, no âmbito do projeto SEAFUEL.
Um grupo de especialistas juntou-se para apresentar trabalhos e experiências que estão a ser desenvolvidas nesta área. A Caetano Bus, por exemplo, utiliza uma célula de combustível de hidrogénio num autocarro elétrico. O hidrogénio neste caso é utilizado para produzir eletricidade, que serve para recarregar as baterias, dando ao autocarro mais autonomia.
“A aplicação na Madeira e no Porto Santo tem sobretudo a vantagem de poder utilizar as energias renováveis para produção de eletricidade que durante a noite não têm possibilidade de utilização”, explica Filipe Oliveira, do Conselho de Administração da AREAM.
Filipe Oliveira refere ainda que como no inverno há muita energia hídrica e energia do vento há energia que não é aproveitada, além de que o consumo é mais baixo durante a noite. O que propõe é fazer produção de hidrogénio com o tal excesso de energia, que depois pode ser utilizado tanto nos transportes, como pode ter outras utilizações.
A utilização na Madeira e Porto Santo serve então para cumprir objetivos futuros relativamente à redução de dióxido de carbono e ao aumento da utilização das energias renováveis.
Projetos no Porto Santo
O membro da AREAM lembra também que em relação ao Porto Santo existe a iniciativa Smart Fossil Free Island, que tem como meta não ter combustíveis fósseis em 2050. Portanto, o que se vai fazer agora é cada vez mais ir aproximando-se desse objetivo.
O Porto Santo tem ainda uma candidatura que se encontra em fase de preparação: Porto Santo Reserva da Biosfera da UNESCO. No âmbito desta candidatura, Filipe Oliveira garante que há metas para 2025 no sentido de aumentar a participação das energias renováveis na produção de eletricidade. Explica que para se fazer o tal aumento de produção renovável de eletricidade é preciso garantir o armazenamento da energia que é produzida durante a noite e que não é consumida.
“Claro que a Empresa de Eletricidade da Madeira tem prevista a instalação de baterias, mas julgamos que também haverá oportunidade para produzir hidrogénio”, diz o membro da AREAM.
A possibilidade de um sistema desta natureza no Porto Santo pode muito bem, segundo Filipe Oliveira, ser uma realidade. Já na Madeira, por enquanto, ainda não se pensa nisso, “mas é uma questão de haver fontes de financiamento e de se fazer um projeto-piloto nesta área”.
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