“PS, Bloco e PCP deveriam ter a coragem de fazer abortar à nascença esta nova CPI”, desafia deputado socialista

Paulo Trigo Pereira, deputado independente do PS, escreveu para o Observador um artigo de opinião onde critica a comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos.

Cristina Bernardo

“Em democracia, houve já 77 comissões de inquérito em Portugal, que compara com apenas 28 na Austrália no mesmo período. A CPI da Caixa Geral de depósitos tem tido uma vida atribulada”, começa por escrever Paulo Trigo Pereira, deputado independente do PS, para o Observador.

O deputado do PS acusa no texto a “inutilidade” da comissão parlamentar de inquérito (CPI), que, se “fosse usada para fiscalizar os governos, deveria responder às questões para que foi criada: i) Avaliar os factos que fundamentam a necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, ii) Apurar as práticas de gestão da Caixa Geral de Depósitos no domínio da concessão e gestão de crédito desde o ano de 2000 e iii) Apreciar a atuação dos órgãos societários da Caixa Geral de Depósitos, incluindo os de administração, de fiscalização e de auditoria, dos auditores externos, dos Governos, bem como dos supervisores financeiros”.

“Uma coisa é clara, no Reino Unido as CPI existem para se debruçarem sobre assuntos de interesse nacional e para contribuírem para uma maior confiança dos cidadãos no parlamento, na medida em que este fiscaliza melhor atuação do governo”, acrescenta Trigo Pereira.

Independentemente do valor injetado na CGD, será sempre pago pelos contribuintes portugueses, e é “por isso que se justifica que esta comissão de inquérito produza um relatório substantivo. O risco é inerente à atividade bancária mas aquilo que importa avaliar é o desempenho da CGD no contexto do sector bancário a operar em Portugal a partir de 2000, nomeadamente o efeito da crise quer na Caixa quer no BES/Novo Banco, BCP, BANIF, BPI ou Santander Totta.”

“Considero que PS, Bloco e PCP deveriam ter a coragem de fazer abortar à nascença esta nova anunciada CPI. Seria tudo legal, não baixava mais a confiança no parlamento (já muito baixa) e estou certo que os portugueses agradeceriam”, tal como defende o deputado do PS.

 

 

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