PS propõe “medidas de estímulo positivas” para travar desequilibro de género agravado pela Covid-19

O grupo parlamentar socialista considera que é preciso promovam o equilíbrio de género no recurso ao teletrabalho e atrair mulheres para os setores do digital e da energia, para que “não ficarem para trás no processo de transição digital e verde”.

ana_catarina_mendes_ps
José Sena Goulão/Lusa

O Partido Socialista (PS) recomenda ao Governo que adote “medidas de estímulo positivas” para travar o desequilibro de género agravado pela pandemia da Covid-19. O grupo parlamentar socialista considera que é preciso promovam o equilíbrio de género no recurso ao teletrabalho e atrair mulheres para os setores do digital e da energia, para que “não ficarem para trás no processo de transição digital e verde”.

Num projeto de resolução entregue na Assembleia da República, o PS reconhece que o Governo de António Costa pôs em prática várias medidas para combater a discriminação de género em tempo de pandemia (como o apoio económico e social às famílias e empresas para “proteger emprego, rendimentos e evitar a destruição das empresas” e a proteção das vítimas de violência doméstica, com mais 100 vagas em casas de abrigo), mas pede mais.

“Saudando este conjunto de medidas transversais concretas já adotadas, com vista à mitigação de desigualdades estruturais salientas pela crise pandémica que estamos a viver, importa dar ainda passos adicionais e procurar mitigar e superar as dificuldades colocada pela Covid-19 à realização de uma tarefa fundamental do Estado, a promoção da igualdade entre homens e mulheres”, explicam os socialista, no projeto de resolução.

Os socialistas defendem que o reconhecimento e valorização do trabalho não remunerado ao nível do cuidado é  “uma contribuição vital para a economia” e é preciso adotar “medidas de estímulo positivas para travar o desequilibro de género já registado relativamente aos trabalhadores apoiados para ficarem em casa com os filhos, dos quais cerca de 80% são mulheres” e promover o equilíbrio de género no recurso ao teletrabalho.

O PS pede também ao Governo que investia na “economia do cuidado”, com “serviços flexíveis de educação e acolhimento de crianças que permitam a todos os pais e mães a manutenção de empregos remunerados e um equilíbrio saudável entre vida pessoal, familiar e profissional”.

Sugere ainda que adote medidas positivas para “atrair as mulheres, nomeadamente as jovens, a não ficarem para trás no processo de transição digital e verde”. Isto porque, segundo o PS, “os setores do digital e da energia, que irão ser prioritário no Instrumento de Recuperação e Resiliência aos quais serão alocados cerca de 500 mil milhões de euros, estão identificados como sendo setores especialmente masculinizados”.

O PS cita uma relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o impacto da Covid-19 nas mulheres, onde se evidencia que “a pandemia pode aprofundar as desigualdades de género” e que, na maioria dos países, verificou-se um aumento das situações de violência doméstica ou do silenciamento das vítimas, “ambas particularmente graves dado que a vítima se viu forçada a permanecer em casa com o agressor em situações”.

O relatório da ONU alerta também para a “quebra nos empregos remunerados” e o aumento do trabalho de assistência não remunerado, para o qual veio contribuir o encerramento das escolas e o aumento dos cuidados com a população idosa devido à Covid-19. Quase 60% das mulheres em todo o mundo estão agora “a ganhar menos, a economizar menos e com maior risco de cair em situação de pobreza”, indica.

Ler mais
Recomendadas
Marta Temido em entrevista à RTP

Fecho imediato de todas as escolas vai ser discutido em Conselho de Ministros nesta quinta-feira

Ministra da Saúde admite que é possível chegar a 20 mil mortes causadas pela pandemia até março. Variante britânica do coronavírus SARS-CoV-2 representa 20% dos casos de infeção e poderá chegar aos 60%.

“Ingerência” ou “acusações falsas”? Caso do procurador europeu divide Parlamento Europeu

Apenas o grupo político europeu que integra o PS aceitou sem reservas as explicações do Governo português. O grupo político do PSD e CDS-PP diz que “disparates destes são próprios de outras latitudes” e que é preciso investigar o caso. Já o GUE/NGL, onde está o BE e o PCP, não se opõe à nomeação, mas lamenta “trapalhada grave” que ameaça manchar a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

PS pede a PSD que evite “aproveitamento partidário” da pandemia

“Temos de evitar que haja tentativas de aproveitamento partidário numa circunstância especialmente difícil, dramática, da nossa vida coletiva”, disse à agência Lusa o dirigente socialista, respondendo, assim, a Rui Rio, que pediu hoje ao primeiro-ministro, António Costa, para encerrar as escolas a partir de quinta-feira, de modo a conter a propagação do SARS-CoV-2.
Comentários