PSD quer que Estado pague quatro a cinco mil milhões em dívidas a fornecedores nas próximas duas semanas

Joaquim Miranda Sarmento aponta “almofada financeira” do IGCP como a forma de garantir injeção de liquidez nas empresas sem afetar o défice. Presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD promete dois planos de resposta à crise económica provocada pela Covid-19.

Joaquim Miranda Sarmento | Cristina Bernardo

O PSD pretende que o Estado pague “os cerca de quatro a cinco mil milhões de dívidas a fornecedores” nas próximas duas semanas para ajudar a economia portuguesa a enfrentar os efeitos da Covid-19, defendendo que essa medida “injeta liquidez imediata nas empresas e não afeta o défice”, na medida em que as despesas que originaram as dívidas já foram registadas nas contas nacionais. Estão em causa verbas em falta da Administração Central, mas também a nível regional e local.

Segundo um comunicado do presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, esta medida é possível do ponto de vista da liquidez do Estado através do recurso aos depósitos do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, que tem uma “almofada financeira” entre os 10 e os 12 mil milhões de euros e que poderá ser reforçada através de um aumento das emissões de Bilhetes do Tesouro ou mediante uma emissão de médio prazo Obrigações do Tesouro.

Além da proposta do pronto pagamento dos valores em falta aos fornecedores do Estado, o Conselho Estratégico Nacional do PSD vai apresentar dentro em breve um plano com um conjunto de medidas de medidas, a nível nacional e comunitário, para “procurar mitigar a crise de liquidez que já se abate sobre as empresas nacionais, e que se irá agravar muito durante os meses de abril e maio”.

Mais tarde, em maio ou junho, “quando os efeitos económicos e financeiros da Covid-19 forem já mensuráveis e já se tiveer uma ideia clara da resposta a nível europeu”, os sociais-democratas prometem apresentar um programa de recuperação da economia de Portugal  e de aumento da sua competitividade, com a capitalização das empresas nacionais e aumento da sua competitividade, através de mais investimento, exportações e emprego. Tratar-se-á de “um programa coerente e realista, mas ambicioso, de recuperação da economia nacional”.

Garantida por Joaquim Miranda Sarmento é a colaboração com o Executivo de António Costa, indicando que “o PSD tem mantido contacto com o Governo, procurando apoiar as medidas tomadas, analisando-as e contribuindo com sugestões e propostas para a sua melhoria”.

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