Apesar de festiva, esta época do ano promete ser vivida com alguma apreensão, já que 34% dos portugueses consideram este período stressante e 40% afirmam que as compras de Natal são, em particular, uma fonte de stress, o valor mais elevado entre sete países europeus analisados. A conclusão consta do ConsumerSignals Holiday Survey2025, uma análise da Deloitte dedicada a avaliar as expectativas de gasto, níveis de stress, utilização de ferramentas digitais e prioridades nesta época festiva. O estudo considerou sete mercados europeus – Portugal, Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Itália e Reino Unido – numa amostra de 7.000 consumidores, 1.000 consumidores por cada mercado analisado. Em contraste com o stress dos portugueses, os consumidores menos pressionados são os neerlandeses, que revelam níveis de stress significativamente mais baixos (42% discordam/discordam totalmente), enquanto em Espanha uma parte considerável dos consumidores se mantém neutra sobre este tema (43%).
De acordo com João Paulo Domingos, partner e líder da indústria de Consumer na Deloitte, “apesar de ser uma época festiva, muitos portugueses relevam uma pressão com as compras de natal, o que fica bem espelhado nos níveis de stress demonstrados, bastante superiores quando comparados com outros países. Este dado reflete que, para além de alguns desafios económicos, esta época tem um impacto emocional considerável. Por outro lado, é possível perceber uma maior consciência nos hábitos de consumo, já que uma parte significativa afirma que este ano vai optar por reduzir gastos de forma intencional. Significa isto que os consumidores nacionais querem manter as tradições, mas que o pretendem fazer de forma mais estratégica e sem gastos desnecessários”.
Um quarto dos portugueses espera aumentar gastos este ano
O estudo conclui também que 25% dos consumidores nacionais esperam gastar mais ou muito mais este ano, sendo o grupo etário dos 18-34 anos o mais propenso a aumentar as despesas (30%).
As intenções de gasto dos consumidores nesta época festiva revelam diferenças significativas entre Portugal, a média europeia e Espanha. Em Portugal, a maioria dos inquiridos espera manter o nível de despesas do ano anterior (44%), e 22% prevê gastar menos. Já na média dos sete países analisados, 49% esperam gastar o mesmo e 23% planeiam aumentar as despesas, percentagem semelhante a Espanha (23%), onde mais de metade dos consumidores (54%) prevê manter o nível de gastos. O estudo revela que uma parte considerável dos consumidores sente dificuldades para proporcionar um período festivo feliz para si e para a sua família.
Cerca de 22% admitem não ter recursos financeiros, um valor alinhado com a média europeia. Ainda assim, há sinais positivos, uma vez que 38% afirma sentir-se capaz de assegurar um época natalícia com conforto, enquanto 31% adota uma posição neutra. No panorama europeu, Itália destaca-se como o país onde mais consumidores referem não ter meios financeiros para celebrar a época festiva como desejariam (31%), ao passo que nos Países Baixos o cenário é mais otimista, 46% dos inquiridos afirmam sentir-se capazes de garantir uma época festiva confortável para as suas famílias.
Entre os consumidores portugueses que planeiam reduzir o orçamento de Natal (são 22% os que preveem gastar menos que no ano passado), os principais motivos continuam a ser o aumento do custo de vida (43%), a deterioração da situação financeira (31%) e a incerteza económica (24%). Estes resultados espelham o que se sente também nos outros países europeus. No entanto, Portugal distingue-se da média europeia por razões de ordem mais intencional: 31% dos portugueses afirmam querer reduzir o consumo por opção, um valor muito acima da média europeia (20%) e de Espanha (15%). Esta tendência sugere que, além da pressão financeira, existe um movimento consciente para ajustar hábitos e prioridades durante a época festiva.
Já entre os consumidores que antecipam gastar mais este ano, a maioria aponta como justificação o aumento dos preços dos presentes (37%). Ainda assim, destaca-se o facto de 19% dos portugueses afirmarem que a sua situação financeira melhorou, um número acima da média europeia (16%), contribuindo para alguma estabilidade. A confiança na economia, por outro lado, apresenta-se moderada e alinhada com as expectativas de países como a Alemanha e os Países Baixos. 10% dos consumidores portugueses afirmam sentir uma maior confiança na economia, uma percentagem bem abaixo da de Espanha, o país mais otimista do conjunto analisado (20%). Quando o orçamento aperta, os portugueses revelam maior tendência para cortar gastos sobretudo em viagens de lazer (17%) e em experiências como restaurantes, eventos ou mercados de Natal (16%). Há também abertura para reduzir a compra de presentes, tanto para si (12%) como para outros (11%), embora a maioria procure preservar tradições como receber convidados em casa ou investir em alguma decoração festiva, hábitos menos sujeitos a cortes.
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