Apesar dos bons resultados apresentados pela Microsoft os investidores não estão satisfeitos. Desde que a tecnológica reportou resultados, na quarta-feira, o preço das suas ações já desvalorizou mais de 10%, por os resultados ligados à cloud (ou nuvem na tradução portuguesa) terem ficado abaixo das estimativas. Além disso começaram a soar o alarme sobre se os investimentos feitos pela tecnológica em inteligência artificial (IA) se estão a justificar. A SAP foi também fortemente penalizada pelos resultados que apresentou no último trimestre por a área da cloud ter ficado abaixo das expetativas.
Para o quatro trimestre do ano a Microsoft viu as receitas subir 17% para os 81,3 mil milhões de dólares enquanto que o lucro operacional disparou 21% para os 38,3 mil milhões de dólares. Já o lucro líquido avançou 60%, face ao ano anterior, para os 38,5 mil milhões de dólares. Já os ganhos por ação subiram 60% para os 5,16%.
“Estamos apenas nas fases iniciais da difusão da inteligência artificial e a Microsoft já construiu um negócio de inteligência artificial maior do que algumas das nossas maiores franquias. Estamos a expandir as fronteiras em toda a nossa plataforma de inteligência artificial para gerar novo valor para os nossos clientes e parceiros”, disse o presidente e CEO da Microsoft, Satya Nadella.
“A receita da Microsoft Cloud ultrapassou os 50 mil milhões de dólares este trimestre, refletindo a forte procura pelo nosso portefólio de serviços. Superámos as expectativas em termos de receita, lucro operacional e lucro por ação”, acrescentou a vice-presidente executiva e diretora financeira da Microsoft, Amy Hood.
As receitas da nuvem da Microsoft apresentou um crescimento de 26% na receita enquanto que as remaining performance obligation, termo inglês referente ao serviço contratados e ainda não confirmados, aumentaram 110% para os 625 mil milhões de dólares.
Já a receita do setor da Cloud Inteligente ficou em 32,9 mil milhões de dólares, mais 29%, face ao ano anterior, enquanto que a receita gerada pela Azure e de outros serviços na nuvem aumentou 39%, um valor que fixou abaixo das expetativas que apontavam para um crescimento de 39,4%, salientou a CNBC.
Esta performance da tecnológica, no quarto trimestre, acabou por não tranquilizar os investidores. A desvalorização sofrida pela Microsoft, que já atinge os 10%, foi a maior desde março de 2020 e retirou 357 mil milhões de dólares de valor à empresa. A empresa chegou a perder num dia o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) português.
A diretora financeira da Microsoft, Amy Hood, referiu que os resultados da nuvem da tecnológica poderiam ter sido melhores. “Se tivesse pegado nas GPU (unidade de processamento gráfico) que entraram em funcionamento no primeiro e segundo trimestres e as tivesse alocado todas ao Azure, o indicador-chave de desempenho teria sido superior a 40 [superando as estimativas]”, disse Amy Hood, citada pela CNBC.
O analista da Melius Reitzes, Ben Reitzes, no programa da CNBC “Squawk on the Street” admitiu que parece “existir um problema de execução com o Azure, em que precisam, literalmente, de construir edifícios um pouco mais rapidamente”.
Na quarta-feira apresentou também resultados a Meta, outras das investidoras na tecnologia da IA. Mas o caminho foi divergente face à Microsoft. A tecnológica teve um disparo que foi superior a 10% na sexta-feira. Tal se deveu à superação das expetativas relativamente à suas receitas do quatro trimestre.
“A empresa mostrou-se muito otimista sobre a forma como a inteligência artificial está a ajudar a impulsionar o desempenho dos negócios principais. Este aumento de desempenho talvez ajude a mudar um debate importante entre os investidores sobre se a empresa está a obter retornos suficientes dos seus investimentos de capital”, disse o analista da William Blair, Ralph Schackart, citado pela Investor’s Business Daily.
Já o analista da Evercore ISI, Mark Mahaney, considerou, citado pela Investor’s Business Daily, que os resultados apresentados pela tecnológica mostraram que as “mais recentes atualizações de inteligência da Meta estão a traduzir-se em ganhos de desempenho mensuráveis e monetizáveis, tanto em anúncios como em engagement“.
A tecnológica reportou uma subida de 24% na sua receita no quatro trimestre para os 59,8 mil milhões de dólares mas viu os seus custos e despesas aumentarem 40% para os 35,1 mil mil milhões de dólares. Os lucros operacionais subiram 6% para os 24,7 mil milhões de dólares, a margem operacional caiu dos 48% para os 41%, enquanto que o lucro líquido aumentou 9% para os 22,7 mil milhões de dólares, e o lucro por ação teve um incremento de 11% para os 8,88 dólares.
Para o total do ano de 2025 a Meta viu a receita subir 22% para os 200,9 mil milhões de dólares, os custos e despesas subiram 24% para os 117,6 mil milhões de dólares, o o lucro operacional aumentou 20% para os 83,2 mil milhões de dólares e o lucro líquido quebrou 3% para os 60,4 mil milhões de dólares.
A Meta emitiu também a sua guidance para 2026. A empresa prevê que a receita do primeiro trimestre deste ano se situe entre os 53,5 mil milhões de dólares e os 56,5 mil milhões de dólares.
“Prevemos que as despesas totais para o ano de 2026 se situem entre os 162 mil milhões e os 169 mil milhões de dólares. A maior parte do crescimento das despesas será impulsionada pelos custos de infraestrutura, que incluem gastos com nuvem de terceiros, maior depreciação e maiores despesas operacionais de infraestrutura. O segundo maior fator de crescimento das despesas totais é a remuneração dos colaboradores, impulsionada pelos investimentos em talento técnico. Isto inclui contratações em 2026 para apoiar as nossas áreas prioritárias, principalmente inteligência artificial, bem como um ano inteiro de despesas com contratações de 2025”, referiu a Meta.
A tecnológica referiu, que ao nível de segmentos da sua atividade, espera que o “crescimento das despesas seja impulsionado pela Família de Aplicações, com os prejuízos operacionais do Reality Labs a permanecerem semelhantes” aos níveis de 2025. “Prevemos que os investimentos de capital em 2026, incluindo os pagamentos do capital de arrendamentos financeiros, se situem entre 115 mil milhões de dólares e 135 mil milhões de dólares, com um crescimento anual impulsionado pelo aumento dos investimentos para apoiar os nossos esforços no Meta Superintelligence Labs e nas nossas atividades principais. Apesar do aumento significativo dos investimentos em infraestruturas, esperamos apresentar um lucro operacional superior ao de 2025 em 2026”, salientou a Meta.
A semana também não foi animadora para a SAP que conseguiu atingir uma queda ainda maior do que a Microsoft. A empresa germânica chegou a desvalorizar mais que 16% devido aos resultados que apresentou na quinta-feira. Contudo na sexta-feira a cotada europeia conseguiu recuperar parte dessas perdas que ainda se fixavam em volta dos 12%.
A queda, que foi a maior diária desde outubro de 2020, como assinalou a agência noticiosa Reuters deveu-se a vários fatores. Um deles foi relativo às preocupações sobre a empresa poder sofrer disrupção devido à inteligência artificial, assinala a agência noticiosa.
“A SAP precisava de uma aceleração abrangente para combater o pessimismo do setor, e com as opções de venda e aquisição na atualização, vemos as ações com um desempenho inferior”, defendeu o analista do CitiBank, Balajee Tirupati, citado pela Reuters.
O outro motivo que explicou a desvalorização da SAP foi as expetativas em volta do crescimento da carteira de encomendas na nuvem. Estimativas anteriores apontavam para um crescimento de 26%, contudo o resultado traduziu-se num acréscimo de 16%. Os analistas do UBS classificaram este desempenho como “dececionante”, citados pela CNBC.
Na apresentação dos seus resultados do quatro trimestre, e do ano fiscal de 2025, a SAP começa por referir que “atingiu as metas” e “superou” as projeções de lucro operacional e de free cash flow (fluxo de caixa livre na tradução portuguesa) para o ano fiscal de 2025.
“A carteira de encomendas em nuvem total aumentou 22%. A carteira de encomendas na nuvem aumentou 16%. A receita com soluções na nuvem cresceu 23%. A receita do Cloud ERP Suite cresceu 28%. A receita total cresceu 8%. O resultado operacional aumentou 111%. Anunciamos um novo programa de recompra de ações com uma duração de dois anos e um volume até 10 mil milhões de euros”, reportou a empresa germânica sobre os resultados referentes ao ano fiscal de 2025.
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