Queda de 25% no turismo tira 2,9% ao PIB, estima INE

Instituto Nacional de Estatística calcula que uma queda com despesas do turismo de visitantes não residentes quer do turismo interno de 25%, levaria a uma contração de pelo menos 2,9% do PIB.

Cristina Bernardo

Uma contração de 25% no turismo em Portugal levaria a uma redução de 2,9% do PIB por ano, segundo cálculos do Instituto Nacional de Estatística, divulgados esta quarta-feira.

“A pandemia COVID-19 terá impactos significativos e transversais na economia portuguesa. O turismo que, de acordo com a conta satélite do turismo, corresponderá a 11,3% do PIB em 2018, será um dos setores mais afetado pela atual crise, sendo expectável uma contração significativa da sua atividade”, refere o organismo de estatística.

Numa atualização do sistema que permite antecipar como é que a economia reage a choques, o INE exemplifica que “a redução de 25% na atividade turística, quer do turismo de visitantes não residentes quer do turismo interno, traduz- se numa redução de 2,9% do PIB anual em Portugal”.

Ainda assim, o INE sublinha que os cálculos têm por base as dinâmicas registadas em 2017, não partindo desta forma dos dados de turismo registados em 2018 ou no ano passado.

A análise conclui ainda que a despesa pública é aquela que tem o maior impacto na economia portuguesa, com um aumento de 90 cêntimos por cada euro adicional de despesa. Enquanto as exportações são o componente com o menor impacto no PIB – e o maior impacto nas importações-, já que por cada euro de decréscimo das exportações traduz-se na diminuição de 44 cêntimos nas importações e 56 cêntimos no PIB.

Já as despesas das famílias tem um impacto de 76 cêntimos por cada euro e de 24 cêntimos nas importações. Por sua vez, o investimento tem um impacto de 63 cêntimos. Ou seja, por cada euro a mais ou a menos, terá um acréscimo ou uma diminuição de 63 cêntimos no PIB e 37 cêntimos nas importações.

O INE explica, no entanto, que por cada “15 cêntimos da despesa das famílias correspondem a impostos líquidos de subsídios aos produtos, valor que diminui para 8 cêntimos na FBCF e apenas 2 cêntimos nas exportações”.

(Atualizado às 12h08)

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