Os utentes continuam a queixar-se dos constrangimentos nos serviços de urgência, tendo o Portal da Queixa registado um aumento alarmante nestas reclamações. Entre janeiro e agosto o número de queixas disparou mais de 90% face ao período homólogo.
Os dados do Portal da Queixa revelam que o serviço de obstetrícia é o que motiva o maior volume de reclamações, com 31% dos casos denunciados.
No total o setor da saúde já registou 3.500 queixas, sendo que 1.800 foram direcionadas aos serviços de urgência hospitalar. O maior número de reclamações foi registado no segundo semestre do ano, entre maio e junho.
Na origem das queixas estão motivos como o mau atendimento, a falta de comunicação, cobranças indevidas, segurança e qualidade dos serviços e tempos de espera excessivos e incumprimento de prazos.
Obstetrícia é a especialidade mais visada, com 31% das reclamações, seguida de ginecologia, com 10% e de pediatria, com 8%.
Apesar do SNS concentrar a maior percentagem de queixas no serviço de urgência, de 24%, os hospitais privados não ficam atrás, com a CUF a registar 17,61%, a Lusíadas Saúde 11,44%, o Hospital da Luz 7,67% e a Trofa Saúde 4,33%.
Lisboa, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga são as cidades que têm mais queixas aos seus hospitais públicos e privados.
Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, afirma que “não estamos perante um problema novo, mas perante um problema sistémico. O aumento de quase 91% nas reclamações sobre serviços de urgência só em 2025 confirma aquilo que os utentes denunciam há anos: um sistema desorganizado, indiferente e, em muitos casos, desumano”.
“Estes dados não podem ser ignorados: estamos perante um problema estrutural que exige ação imediata e coordenação entre entidades e organismos do estado”, salienta.
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