Quem é David Maria Sassoli, o presidente do Parlamento Europeu anti-Liga?

Dizem que é uma espécie de presente envenenado para Matteo Salvini, o italiano que conseguiu transformar a escolha da Comissão num verdadeiro caos. Jornalista antes de ser político, está nesta instituição europeia há muitos anos.

DR AP

David Maria Sassoli chegou à qualidade de candidato a presidente do Parlamento Europeu por ser italiano e por ser um italiano que não é da Liga, o partido do ministro do Interior Matteo Salvini – o que constitui uma espécie de pequena vingança dos partidos maioritários no hemiciclo, PPE e PSE, que assim pretendem afrontar – possivelmente com pouca eficácia – o homem que durante mais de 30 dias conseguiu lançar o caos sobre a escolha da nova Comissão Europeia.

Nascido em 30 de maio de 1956, Sassoli é um político e jornalista, membro do Partido Democrata – ou do que resta dele: desde que Matteo Renzi deixou o partido exangue em 2016 que os democratas têm vindo a ‘arrastar-se’ em posições intermédias nas eleições italianas. Uma pequena subida nas eleições do ano passado deu um novo alento ao partido, mas nada que pareça ser suficiente para um resultado verdadeiramente bom nas mais que prováveis eleições antecipadas no país.

David Sassoli nasceu em Florença em 1956 e formou-se em Ciências Políticas na universidade local, tendo em pouco tempo iniciado uma carreira jornalística de colaboração com pequenos jornais da cidade e agências de notícias – até passar a integrar os quadros do jornal ‘Il Giorno’, da cidade de Roma, ao mesmo tempo que ia experimentando a televisão.

Acabou por ser apresentador de notícias do canal “TG1”, onde ganhou notoriedade social – o que se viria a revelar importante em termos políticos – e projeção de carreira (chegou a vice-diretor do canal).

2009 foi o ano da viragem: Sassoli deixou a carreira jornalística para entrar na política, tornando-se um membro do Partido Democrata (PD) para concorrer nas eleições ao Parlamento Europeu em 2009. Acabou por ser eleito, sendo mesmo o candidato mais votado no distrito em que concorreu (Itália Central). Até 2014 foi líder do PD no Parlamento Europeu – e aí continuou a ganhar notoriedade.

A tal ponto, que considerou sensato anunciar, em outubro de 2012, a sua presença nas primárias para a candidatura de centro-esquerda à câmara de Roma nas eleições municipais de 2013. Chegou a segundo (com 26% dos votos), mas foi vencido pelo senador Ignazio Marino (55%) – que acabaria por derrotar Gianni Alemanno, o candidato de direita. Tudo isso foi há muito tempo: a câmara é atualmente ocupada por Virginia Rizzi (do Movimento 5 Estrelas).

Sassoli foi reeleito para o Parlamento Europeu em 2014, tendo acabado opor assumir uma das vice-presidências (com 393 votos), tornando-se o segundo candidato socialista mais votado. Nas eleições de maio passado, acabou eleito mais uma vez. E 37 dias depois do início da barafunda que foi a escolha da nova Comissão Europeia, viu o seu nome proposto pela Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) para a presidência do Parlamento Europeu. Sucede a Antonio Tajani, sendo o sétimo italiano a ocupar o cargo – que, no seu caso, será possivelmente de confronto com o governo do seu próprio país.

Por outro lado, o português Pedro Silva Pereira (PS) é candidato a vice-presidente e não deverá enfrentar grandes dificuldades para ser eleito. Quando for eleito, o novo presidente liderará a eleição dos 14 vice-presidentes – que serão eleitos da mesma forma que o próprio presidente – num ato demorado mas que não costuma reservar qualquer surpresa.

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