Quem paga a conta dos serviços gratuitos?

As transferências imediatas de pequenos montantes gratuitas representam mais custos e menos receita para os bancos, que não querem ficar com os custos de um serviço de uma marca que não é deles.

Quando a esmola é grande o pobre desconfia, diz a sabedoria popular. Neste caso a esmola são as soluções interbancárias que permitem fazer transferências imediatas e que atualmente são gratuitas. O problema é que não existem bons produtos sem custos e estas soluções, para serem boas, têm custos.

Por outro lado, a sua maior vantagem, as transferências imediatas de pequenos montantes gratuitas, retira receita aos bancos. Em resumo, mais custos e menos receita para os bancos. É, assim, perfeitamente compreensível que os bancos não queiram ficar com os custos de um serviço de uma marca que não é deles e onde perdem a relação direta com os seus clientes em favor de outras entidades. Desta forma só existem três soluções.

A primeira passa pelos bancos cobrarem aos seus clientes, de uma forma transparente e direta, os custos do serviço, como parece que alguns se preparam para fazer. A segunda passa pelos bancos cobrarem os custos do serviço aos seus clientes por via indireta, aumentando as comissões de manutenção das contas à ordem e/ou dos meios de pagamento associados às mesmas, quer sejam as transferências, quer sejam os cartões bancários. A terceira, passa por oferecer o serviço aos seus clientes de uma forma totalmente gratuita e por encontrar formas alternativas de receita para compensar os custos.

O melhor exemplo deste tipo de mudança de modelo de negócio que me recordo é o mercado das enciclopédias, que no início da década de 90 valia 1,2 mil milhões de dólares, com um líder destacado, neste caso a Britannica, com mais de 650 milhões de dólares de vendas realizadas maioritariamente num sistema porta-à-porta.

Em 1993, a Microsoft lançou a Encarta, uma enciclopédia em CD a um custo equivalente a 10% do da Britannica que em três anos perdeu 50% das suas vendas, ou seja, o mercado das enciclopédias perdeu 50% do seu valor. Anos mais tarde, apareceu a Google e posteriormente a Wikipedia, que nos deram acesso ilimitado e gratuito a toda a informação.

O que mudou? A tecnologia e o valor de mercado que desapareceu, mas a Google não é rentável? É e muito. Esta terceira possibilidade é perfeitamente legítima e poderá até ter um racional económico mais interessante a longo prazo, mas coloca questões importantes e desafiantes para os bancos, relacionadas com o valor da informação sobre as transações e comportamentos de consumo dos seus clientes.

Tem o pobre motivos para desconfiar? Sim, alguém tem de pagar a conta.

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