Receitas da Altice Portugal crescem 0,5% para 2,12 mil milhões de euros em 2020

Altice Portugal diz que o controlo dos custos e o “contínuo aumento da base de clientes e de serviços” em ano pandémico permitiu aumentar os proveitos. Na mensagem que acompanha a divulgação dos números, o CEO da Altice volta a acusar a Anacom de criar um ambiente “hostil”.

Presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca

As receitas da Altice Portugal fixaram-se nos 2.121,2 milhões de euros em 2020, um valor que representa um ligeiro crescimento homólogo de 0,5%, revelou a empresa liderada por Alexandre Fonseca esta terça-feira. Em 2019, as receitas da dona da Meo ascendiam a 2.110 milhões de euros.

A Altice justifica o crescimento com o “contínuo aumento da base de clientes e de serviços e o controlo dos custos operacionais”. O crescimento do número de clientes e a contenção dos custos compensaram os efeitos da pandemia da Covid-19, cujo impacto se fizeram sentir na operação da empresa ao longo do último ano. “[Mas] o segundo semestre de 2020 revelou a força do desempenho da Altice Portugal, nos principais indicadores financeiros”, assegura a dona da Meo em comunicado.

Só no quarto trimestre, a equipa de Alexandre Fonseca indica que as receitas da empresa cresceram 2,7%, para 558,3 milhões de euros, “continuando a recuperar da pandemia (+2,6% no primeiro trimestre de 2020, -4,2% no segundo trimestre de 2020 e +0,9% no terceiro trimestre de 2020)”. Para a recuperação foram “fundamentais” o “crescimento das vendas de equipamentos, principalmente telemóveis”, bem como o “retorno da receita de conteúdos premium desportivos e o ligeiro aumento das receitas de roaming“.

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (EBITDA) fixaram-se nos 833,6 milhões de euros, o que se traduz numa ligeira subida homóloga de 0,2%.

Desta forma, a empresa liderada por Alexandre Fonseca considera “notável” o desempenho operacional da dona da Meo. A empresa fechou 2020 com 169,8 mil novas adições líquidas nos serviços fixos. Só o segundo semestre do ano representou mais de metade (91 mil) das referidas novas adições líquidas.

Só nos últimos três meses de 2020, os clientes únicos do segmento de consumo cresceram 6,8 mil, “alavancados na manutenção do ritmo de adições brutas e da manutenção do churn [clientes que deixaram a Altice] em patamar muito baixo”. No conjunto do ano os clientes únicos do segmento de consumo aumentaram em 29,5 mil.

“Paralelamente, o negócio móvel conseguiu mais 71,2 mil adições líquidas no último trimestre e mais 196,5 mil pós-pagas nos últimos 12 meses”, lê-se.

O nível de investimento da dona da Meo manteve-se elevado, apesar do contexto pandémico, tendo o capex “atingido o valor recorde” de 465,7 milhões de euros. “Este indicador aumentou consecutivamente nos últimos três trimestres: 104,3 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020; 113,9 milhões de euros no segundo trimestre de 2020; 120,2 milhões de euros no terceiro trimestre
de 2020; e 127,3 milhões de euros no quarto trimestre de 2020”,salienta a empresa.

Segundo a mensagem do presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, que acompanha o comunicado dos resultados, o nível de investimento está relacionado com “a liderança [da Meo] no serviço de televisão por subscrição” – conquistada durante o ano de 2020 -, com o lançamento de “uma oferta convergente telco-energia, a Meo Energia” e com a criação da Fastfiber, “a maior empresa grossista de fibra em solo nacional”.

A Fastfiber assenta numa parceria com a Morgan Stanley Infrastructure para a rede de fibra ótica, fechada no segundo trimestre do ano, que permitiu no final de junho alcançar antecipadamente a meta estabelecida para 2020, 5,3 milhões de lares com servidas com a rede fibra da Altice. “A Altice Portugal adicionou mais 70 mil casas à sua base total no terceiro trimestre e 241 mil no quarto
trimestre”, fechando o último ano com um total de 5,6 milhões de casas passadas com fibra.

O investimento na ordem dos 465 milhões de euros está também relacionado com a entrada da Altice no capital da Intelcia para o mercado português. A dona da Meo investiu também numa “posição maioritária na Meo Blueticket, dando seguimento à aposta na diversificação e expansão do portefólio para novas plataformas”.

Alexandre Fonseca alerta para “ambiente regulatório conturbado e hostil com consequências imprevisíveis”
Perante os resultados alcançados, o CEO da Altice Portugal sublinha que, apesar da pandemia da Covid-19 “afetar de forma significativa a economia”, os números “demonstram a capacidade de adaptação, de reinvenção e resiliência da Altice Portugal.

“O rigor financeiro, a capacidade de adaptação, a agilidade e resiliência permitiram manter o ritmo de crescimento ao longo de 2020”, declara Alexandre Fonseca.

Não obstante, o gestor foca a sua mensagem num alerta: “Para dar continuidade ao nosso compromisso com o país de ser o motor de bem-estar da sociedade, da transformação digital e do desenvolvimento da economia através da inovação, do investimento e do desenvolvimento tecnológico sustentável, precisamos de ir ainda mais longe”.

Ora, segundo o CEO da Altice, para alcançar outros patamares de desenvolvimento o sector das telecomunicações não deve ter o que considera ser um “ambiente regulatório conturbado e hostil com consequências imprevisíveis, ao mesmo tempo que se inicia um novo ciclo nas comunicações a nível global, o 5G”.

Para Alexandre Fonseca, o responsável por esse ambiente é a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), por causa do regulamento desenhado para o leilão de frequências, que inclui as faixas essenciais ao 5G, que está em curso há 53 dias.

“Agudiza-se um contexto manifestamente difícil, diretamente relacionado com o ambiente regulatório adverso, hostil e imprevisível imposto pela Anacom, resultando em profundas alterações no mercado, causadas pelos benefícios injustificados aos novos entrantes e pelo desequilíbrio artificial de mercado daí resultante, com consequências imprevisíveis para o sector, para os clientes e para a economia em geral”, lê-se na mensagem do CEO.

Alexandre Fonseca responsabiliza o organismo liderado por João Cadete de Matos por uma alegada “destruição de valor que a atual postura regulatória está a gerar”. Nesse sentido, o gestor reitera a acusação de que o regulador sectorial arrisca “a sustentabilidade do setor das comunicações e o investimento desta indústria no país”, assinalando que tal coloca “sérios riscos na capacidade de inovação, no emprego e no posicionamento de Portugal na Europa”.

Desta forma, o CEO da dona da Meo repete a ameaça de que o atual contexto regulatório coloca em causa os “compromissos [assumidos pela Altice] com o país na inovação e investimento, os fundamentais investimentos no 5G”. Isto é, a Altice continua a afirmar que vai reequacionar eventuais novos investimentos.

 

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