Recursos qualificados são vitais para a transformação digital em Portugal

O estudo “Maturidade Digital das Empresas em Portugal”, da EY e da Nova SBE, revela que 41% das organizações portuguesas já iniciou o seu processo de digitalização – contudo, os investimentos no digital ainda estão a descurar as vertentes de pessoas e organização, a gestão de informação, a estratégia e a liderança.

A consultora Ernst & Young (EY) lançou, em parceria com a Nova School of Business and Economics (Nova SBE), um estudo que analisa os níveis de maturidade digital e de confiança das empresas portuguesas em relação ao futuro digital. O estudo revela que os empresários reconhecem que os impactos da transformação digital são fortes e imediatos e que é urgente agir.

O relatório “Maturidade Digital das Empresas em Portugal” mostra que as organizações reconhecem que a transformação digital está a criar oportunidades para a proliferação de novos produtos, serviços e modelos de negócio, mas conclui que os investimentos em digital ainda estão a descurar as vertentes de pessoas e organização, a gestão de informação, a estratégia e a liderança – uma realidade que pode criar riscos a médio prazo.

O estudo da EY e da Nova SBE revela que 41% dos inquiridos já iniciou o seu processo de digitalização. Para muitas empresas, o momento em que começaram a investir nesta área parece estar associado a uma avaliação positiva da sua maturidade digital face à dos seus concorrentes. No entanto, o facto de esta visão otimista ser generalizada na amostra pode indicar desconhecimento da situação real dos concorrentes ou que a comparação está a ser feita essencialmente com outras empresas nacionais.

A percepção é significativamente diferente entre setores, com as empresas de Media (76%) e Energia (64%) a serem as mais confiantes quanto à sua posição actual de liderança face aos concorrentes e quanto à capacidade de manterem esse avanço no futuro. Já no da Saúde, 72% das empresas assumem que estão atrasadas ou a par dos concorrentes, mas 86% estão confiantes em que recuperarão desse atraso.

No que respeita ao grau de implementação das diferentes tecnologias associadas à revolução digital, a escolha das empresas portuguesas vai para as redes sociais e marketing digital (mais de 75% das respostas indicam um grau de implementação de 4 ou 5, numa escala de 1 a 5), o cloud computing (65%), Big Data e Analytics (61%) e Internet of Things (ligeiramente acima de 50%).

Salienta-se que um número muito pequeno de empresas, significativamente abaixo dos 10% da amostra, indica ter em fase avançada de implementação projectos relacionados com impressão 3D, computação quântica, condução autónoma ou blockchain, por exemplo.

Finalmente, a dimensão estratégia e liderança mostram avaliações muito díspares entre segmentos de atividade: as empresas do setor energético apresentam uma visão mais positiva – a generalidade avalia de forma muito positiva o seu nível de desenvolvimento nas vertentes de inovação, gestão da mudança e estratégia de digitalização -, com mais de 70% das respostas acima do ponto médio.

A generalidade das empresas faz uma avaliação pouco positiva quanto ao nível de desenvolvimento da sua estratégia de digitalização, com os resultados mais favoráveis a caberem aos setores da Energia e Financeiro, em que respectivamente 27 e 22% das empresas avalia a sua estratégia digital com a pontuação máxima.

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