Reduzir as emissões de carbono a zero poderá custar até 290 mil milhões de euros

Cortar as emissões de carbono a zero até 2050 exigiria um investimento adicional anual em infraestruturas energéticas entre 175 mil milhões a 290 mil milhões de euros, a maioria dos quais teria de ser fornecida por empresas e agregados familiares, de acordo com um relatório sobre o Acordo de Paris.

David Gray/Reuters

Cortar as emissões de carbono a zero, tal como o Acordo de Paris sugere, poderá exigir até 290 mil milhões de euros por ano em investimentos adicionais na União Europeia (UE), segundo uma análise do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) citada pelo jornal britânico ”Financial Times” esta quarta feira.

O novo plano de ação de Bruxelas, que irá ser publicado hoje, delineia uma série de cenários que visam reduzir as emissões de carbono e prevenir o aquecimento global prejudicial: ambos mostram quais serão as mudanças a longo prazo e os enormes investimentos necessários para que as nações europeias cumpram o acordo de Paris e reduzam as emissões a zero até 2050.

Atingir emissões nulas até 2050 exigiria um investimento adicional anual em infraestruturas energéticas entre 175 mil milhões de euros a 290 mil milhões de euros, a maioria dos quais teria de ser fornecida por empresas e agregados familiares, de acordo com o relatório.

A UE já conseguiu reduzir as emissões de carbono até 22% entre 1990 e 2017, enquanto a economia cresceu 57% no mesmo período. O bloco prometeu reduzir as emissões em 40% até 2030 e está no caminho para atingir essa meta.

Mas as atuais políticas da UE não vão ser suficientes para atingir as metas de temperatura do acordo climático de Paris. O documento revela que as novas políticas alinhadas com a meta de 1,5ºC de aquecimento global seriam duas vezes mais caras que as políticas em consonância com 2ºC de aquecimento, no que toca ao investimento adicional anual necessário.

Reduzir estas emissões até 2050 é crucial para que o aquecimento global seja limitado a 1,5ºC, de acordo com o relatório recente da ONU.

Relatório exige transformações “sem precedentes” para limitar aquecimento global

Os assinantes do acordo de Paris, incluindo a UE, comprometeram-se a “concretizar os esforços” para restringir os aumentos de temperatura a 1,5°C como parte do para limitar o aquecimento global a bem abaixo dos 2°C. O documento também deixou em aberto para os participantes estabelecerem a sua própria meta climática.

A UE prepara-se para organizar a 24º conferência sobre o aquecimento Global, o COP24 onde irão ser debatidas as novas políticas de prevenção do aquecimento global e analisar as metas alcançadas pelos assinantes do Acordo de Paris. A cimeira irá decorrer entre 3 a 14 de dezembro em Katowice, na Polónia.

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