Região de Leiria em alta constante apesar dos obstáculos

As dormidas na cidade de Leiria cresceram 71,2% entre 2013 e 2018, enquanto os proveitos retirados da atividade turística mais do que duplicaram, com uma subida de 105,3% no período em análise, passando de 5,3 para 10,8 milhões de euros.

A região de Leiria tem registado um crescimento sustentado da procura turística nos últimos anos, seja ela quantificada em dormidas ou em proveitos retirados da estadia dos visitantes, a exemplo do que sucedeu em toda a Região Centro de Portugal, na qual se integra, e de todo o país.

Estando integrada nessa mesma Região Centro, Leiria conseguiu superar de forma satisfatória os impactos adversos provocados pelos incêndios, do pinhal de Leiria ou de Pedrógão Grande, por exemplo, em 2017, ou da tempestade Leslie, no ano seguinte. As incertezas são muitas, mas a mesma tendência resiliente se espera para recuperar do impacto da pandemia de Covid-19 em curso, embora o ano de 2020 seja um ano que irá marcar um retrocesso nesta trajetória ascendente, um “ano perdido”, como o classificam a generalidade dos agentes económicos, em especial os mais diretamente ligados à atividade do turismo, no que poderá ser um retrato não só da região de Leiria, mas do país como um todo.

Mas, o melhor argumento de que melhores dia virão passa pelo revisitar da evolução histórica recente de dormidas nos últimos anos na cidade de Leiria, que cresceram 71,2% entre 2013 e 2018, último ano de que existem dados disponibilizados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, passando de 148.453 para 254.095 dormidas. Em termos de proveitos, a evolução é ainda mais assinalável, mais que duplicando, com uma subida de 105,3% no período em análise, de menos de 5,3 milhões de euros para cerca de 10,8 milhões de euros. Desta forma, a taxa líquida de ocupação, na cidade de Leiria, medida em camas em alojamento turístico, entre 2014 e 2018, também seguiu uma linha ascendente, de 28,4% para 37,3%.

Esta tendência repete-se se alargamos o nosso objeto de observação de Leiria para toda a região mais diretamente abrangida por esta cidade, ou seja, incluindo os concelhos vizinhos ou próximos de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós. Nesta região, entre 2014 (não existem dados do INE referentes a 2013) e 2018, as dormidas aumentaram 39,7%, de mais de 370 mil para quase 518 mil.

Os proveitos da região de Leiria no período em apreço registaram um acréscimo de 64,1%, passando de cerca de 14 milhões de euros para mais de 23 milhões de euros. Também a taxa líquida de ocupação turística registou um comportamento positivo nos últimos anos, subindo de 28,6% para 33,9%.

No que respeita a toda a Região Centro de Portugal, no período entre 2013 e 2018, as dormidas cresceram de mais de quatro milhões para cerca de 6,8 milhões. Quanto a proveitos, esta região turística mais que duplicou o seu montante, com uma subida de 106,3%, passando de mais de 161 milhões de euros para quase 333 milhões de euros.
No capítulo da taxa líquida de ocupação, a Região Centro de Portugal também tem vindo a registar um registo satisfatório, subindo de 24,8% para 32,8%.

De referir que nos indicadores de dormidas e de proveitos, a evolução, quer da cidade de Leiria, quer da Região Centro de Portugal, registaram no período em questão, desempenhos superiores aos do conjunto de Portugal. Na vertente da taxa de ocupação, a cidade de Leiria e a Região Centro de Portugal partiram de bases inferiores às do conjunto do país, mas têm estado paulatinamente a reduzir o diferencial.

Na verdade, a Região Centro, e Leiria, como um dos pólos desta região, têm uma oferta diversificada de atrações turísticas que explicam estes números e que dão mais confiança para os tempos que se avizinham. Entre serras e mar, praias, grutas, castelos, lagoas e museus são cartazes que satisfazem o turista, interno e internacional, que beneficia ainda de bons acessos rodoviários e da relativa proximidade à capital. A oferta é vasta, assente em património natural como as grutas de Moeda, Santo António dos Alvados ou Mira de Aire ou percursos pedestres no parque natural das Serras de Aire e Candeeiros, ou por outros pólos geográficos como a Serra de Sicó ou a Mata do Urso, por exemplo. Ou valorizando o património histórico e arquitetónico, desde logo o Património Histórico da Humanidade do Mosteiro da Batalha, classificado pela Unesco, o castelo de Leiria, o centro interpretativo da batalha de Aljubarrota ou a Rota dos Moinhos, por exemplo.

Sem esquecer as riquezas gastronómicas específicas de Leiria e das imediações, a saber e a saborear: morcela de arroz, sopa do vidreiro, arroz de marisco, feijoada de chocos, cabrito assado ou guisado, caldeirada de borrego, friginada, leitão da Boa Vista, migas serranas, chícharos, arroz de serrabulho e torresmos. Com uma atenção especial às sobremesas: brisas do Lis, cavacas do Reguengo de Fetal, pudim da Batalha, biscoito do Louriçal. E ainda o queijo do Rabaçal, queijinhos de cabra, e o pão de trigo e a broa de milho, cozidos em forno de lenha.

Um conjunto de sedutoras propostas que têm convencido os forasteiros e que constituem o melhor garante para retoma da atividade turística da área metropolitana de Leiria nos próximos meses, mesmo que pandemia persista.

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