Regime de Maduro impede entrada do Grupo de Operações Especiais da PSP na Venezuela

A unidade anti-terrorista da PSP tinha a missão de defender a embaixada e o consulado de Portugal na Venezuela, mas foi impedida de entrar no país pelas forças de segurança de Maduro, avança a RTP.

A força de elite da PSP foi impedida de desembarcar na Venezuela pelo regime de Nicolás Maduro. Os oitos elementos destacados para assegurar a missão das delegações diplomáticas naquele país foram barrados de entrar pelas autoridades, num momento de alta tensão política no país.

Os oito elementos do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP partiram no sábado para a capital venezuelana no sábado. Ao aterrarem em Caracas no domingo, as forças de segurança do regime de Maduro impediram o seu desembarque, revelou a RTP.

Os oito operacionais da força anti-terrorista da PSP viajaram num Falcon 50 da Força Aérea para Caracas, um avião normalmente usado para viagens de Estado. O objetivo da sua missão era garantir a segurança da embaixada e do consulado de Portugal na capital da Venezuela. Quatro destes operacionais ficariam destacados na embaixada, enquanto os outros quatro iriam ficar destacados no consulado.

As autoridades venezuelanas impediram o desembarque dos oito elementos e das respetivas malas diplomáticas destes operacionais que continham armas, capacetes, coletes à prova de bala, entre outros equipamentos, noticiou a RTP. Durante as 12 horas que estiveram em Caracas, decorreram negociações diplomáticas entre Lisboa e Caracas. Contudo, estas negociações terminaram sem sucesso, pois os elementos das GOE regressaram a Lisboa na segunda-feira.

O ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou fazer comentários a esta situação, avança a Antena 1, que também tentou obter sem sucesso uma reação do ministério da Administração Interna, que tutela a PSP.

Os operacionais desta força de elite já estavam treinar para esta missão há cerca de três semanas, e a sua partida teve de ser adiantada devido ao aumento da tensão política na Venezuela, conforme escreveu o Correio da Manhã na altura da partida dos GOE para a América do Sul.

Este episódio teve lugar um dia antes de Portugal reconhecer a legitimidade de Juan Guaidó como presidente interno da Venezuela. No entanto, no domingo já se previa que Portugal viesse a reconhecer Juan Guaidó, pois Nicolás Maduro rejeitou convocar eleições antecipadas, conforme exigido por Portugal e por vários países europeus e sul-americanos.

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