Reino Unido enfrenta fortes obstáculos alemães ao Brexit

“A diferença principal entre a perspetiva do Reino Unido sobre do que é que isto que se trata e a visão franco-alemã é a de que os britânicos ainda pensam que esta é uma negociação. Não é. É um processo que está a ser gerido para minimizar danos, explicou ao ‘Financial Times’ Pascal Lamy, ex-presidente da Comissão Europeia e diretor-geral da Organização Mundial do Comércio.

Stefan Wermuth/REUTERS

Durante o período de transição para a saída do Reino Unido da União Europeia, em que nos encontramos, estava previsto o avanço das negociações. No entanto, como se sabe, o andamento dos acordos não é aquele que esperava a governante britânica, inicialmente. Em causa está também uma barreira franco-alemã no progresso das conversações até agora, segundo alto funcionário britânico explicou esta quinta-feira ao Financial Times.

No início da semana, a agência Bloomberg revelou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão tinha preparado um documento preliminar a solicitar um “acordo abrangente de comércio livre” com o Reino Unido, que nunca chegou a ser efetivamente assinado.

Theresa May e os seus conselheiros estavam convencidos de que oferecer um pagamento de, pelo menos, 20 mil milhões de euros seria suficiente para convencer a União Europeia a iniciar conversações durante o período de transição. Contudo, uma fonte próxima de Angela Merkel disse ontem ao Financial Times que a chanceler alemã quer que a questão do montante que custará a saída do Reino Unido do bloco europeu seja discutida primeiro.

“A questão é toda sobre o dinheiro. (…) Angela Merkel quer que haja um acordo sobre o Brexit, mas quer que Theresa May cumpra os compromissos assumidos e concretize o que disse em Florença”, onde se propôs a seguir as orientações da União Europeia e a preparar-se “para todas as eventualidades”, adiantou o mesmo porta-voz.

“A diferença principal entre a perspetiva do Reino Unido sobre do que é que isto que se trata e a visão franco-alemã é a de que os britânicos ainda pensam que esta é uma negociação. Não é. É um processo que está a ser gerido para minimizar danos. Isso envolve ajustamentos”; explicou ao diário britânico Pascal Lamy, ex-presidente da Comissão Europeia e diretor-geral da Organização Mundial do Comércio.

Para o político europeu, o Reino Unido ainda parece acreditar que pode “comprar algo com o dinheiro que precisam de pagar. (…) A verdade é que não há nada a discutir. A única questão é quanto é que devemos”.

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