Reitores propõem ao Governo programa de emprego científico para as empresas

Dedicada à transmissão do conhecimento às empresas e à sociedade, a sessão do Porto da Convenção do Ensino Superior vai reivindicar melhores condições para, na próxima década, aumentar o número de doutorados nas empresas.

A III Sessão da “Convenção do Ensino Superior 2020 – 2030”, que se realizará na Reitoria da Universidade do Porto no próximo dia 9 de abril, vai propor ao Governo a criação de um programa de emprego científico no setor privado. Promovida pelo Conselho de Reitores das Universidades Portugueses – CRUP e organizada pela Universidade do Porto, pela Universidade do Minho e pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), esta sessão contará com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, na abertura.

“O emprego científico não é só uma questão das universidades e dos centros de investigação: é um fator fundamental para o aumento da produtividade da economia portuguesa”, afirma Fontainhas Fernandes, presidente do CRUP e reitor da UTAD. “Por isso, têm de ser dados incentivos às empresas para que estas contratem mais doutorados – quer através das verbas europeias, quer mediante incentivos fiscais. Nas empresas, os doutorados vão ajudar a resolver problemas concretos e vão contribuir com processos de inovação para tornar os serviços e os bens produzidos em Portugal mais competitivos à escala global”.

Na base da pretensão dos reitores está uma estatística comprometedora para Portugal: enquanto que na generalidade dos países europeus cerca de 35% dos doutorados trabalham em empresas, em Portugal só menos de 3% estão colocados no tecido produtivo. O CRUP considera imprescindível, por isso, criar condições para aumentar a mobilidade dos doutorados.

“É essencial para o desenvolvimento do país aumentar o financiamento da investigação de translação, ou seja, aquela que coloca nas empresas mão-de-obra altamente qualificada a desenvolver investigação focada e orientada para a resolução de questões específicas das empresas”, afirma Hélder Vasconcelos, vice-reitor da Universidade do Porto e responsável direto pela organização desta III Sessão.

“No próximo quadro de verbas europeias terão de ser criados avisos específicos para financiar doutoramentos em empresas e o emprego de doutorados. A investigação colaborativa entre universidades e empresas tem de ser um prioridade para a próxima década”.

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