Renova quer reforçar presença internacional nos próximos cinco anos

Em entrevista, Paulo Pereira da Silva, CEO da empresa produtora de papel ’tissue’ revela que o objetivo estratégico da empresa cinco anos é estar presente em mais mercados, em mais países do mundo, para além dos cerca de 70 para onde já exporta hoje em dia.

A Renova pretende reforçar a sua presença nos mercados internacionais nos próximos cinco anos, de acordo com as declarações prestadas por Paulo Pereira da Silva, CEO da empresa à última edição da revista ‘PME Magazine’.

Questionado sobre como é que veria a Renova daqui a cinco anos, o gestor sublinhou que “cinco anos é amanhã, mas vejo-a como uma marca com uma maior expressão global, de estar em mais países, mais mercados, mais geografias, dentro dos seus próprios valores, do seu território, da sua linguagem e com um crescimento geográfico e poder levar a nossa marca, aquilo que somos, a mais gente, em diferentes sítios do mundo”.

Apesar de não serem publicamente conhecidos os dados económico-financeiros da Renova nos últimos exercícios, diversos artigos publicados nos últimos meses na imprensa nacional apontam para um volume de negócios anual da Renova na ordem dos 170 milhões de euros, dos quais cerca de 50% são destinados a exportações para cerca de 70 países em cinco continentes.

A Renova produz papel ’tissue’ – papel higiénico, guardanapos, lenços, toalhetes, etc. Para além de uma unidade de produção industrial de papel ’tissue’ em St. Yorre, em França, com cerca de 50 colaboradores, a Renova mantém duas fábricas e o centro logístico em Portugal, com sede em Torres Novas, empregando cerca de 650 funcionários no nosso país.

“Gostei de ver na China as pessoas a cheirarem os nossos produtos, a tocarem nos produtos. se calhar, há aqui mercado em que podemos trabalhar. O outro lado desta questão tem muito que ver com os avanços tecnológicos. O mundo está a avançar muito. O Facebook, o Instagram são coisas relativamente recentes e tenho de ter a humildade de dizer que dentro de cinco anos pode haver uma coisa qualquer tecnológica – certamente o comércio digital, ligado ao digital, todas as vendas da ‘internet’, tudo isso avançará muito, os pagamentos todos vão ser diferentes e tudo isso vai ter implicações nos nossos negócios”, adianta aulo Pereira da Silva na referida entrevista.

O CEO da Renova alerta também que “o próprio protecionismo que começa a haver, não só nos Estados Unidos, vai afetar a capacidade de estar noutros sítios”.

“O importante é ter uma estratégia de desenvolvimento e depois deixar aqui alguma capacidade de adaptação às oportunidades que vão existir. Temos uma indústria em França, portanto, continuar a a desenvolver a Renova em França, continuar a desenvolvê-la aqui do ponto de vista industrial, ter a marca aí espalhada pelo mundo e, se tivesse que resolver, aquilo que eu gostava é que a Renova fosse a marca da nossa categoria de produtos mais amada do mundo”, defende Paulo Pereira da Silva.

Convidado a revelar algum novo produto da Renova para o futuro, o CEO da empresa insistiu na ideia do reforço da presença internacional: “não lhe posso dizer, mas dir-lhe-ia o seguinte: a coisa mais importante, para nós, neste momento é algum desenvolvimento geográfico da Renova em novos países”.

“Quando estamos em novos países, porventura, precisamos de  produtos um bocadinho diferentes, ou produtos, se calhar, mais ‘premium’, mais luxuosos. Uma área que estamos a desenvolver muito é a personalização. Temo o ‘Made by you’, em que se pode fazer ‘upload’ das fotografias e nós enviamos, para qualquer sítio do mundo, guardanapos com as fotografias das pessoas, ou papel higiénico. Portanto, avançar muito nessa área de personalização dos produtos, porque acho que é uma coisa muito interessante para as pessoas terem liberdade de escolherem os seus próprios produtos”, destaca Paulo Pereira da Silva.

Segundo este responsável, “como tendência um bocadinho do mundo – acho que está um bocadinho ligado à mudança das pessoas para as cidades – estamos em presença de uma certa desmaterialização das casas das pessoas”.

“As pessoas têm menos coisas em casa, menos móveis. tendo menos coisas, vão querer consumir menos átomos, menos quantidade de coisas, mas querem coisas mais engraçadas e ter prazer com coisas, diria, mais simples. Gosto muito de tornar em coisas extraordinárias coisas que são ordinárias, do dia-a-dia, portanto, a pessoa poder consumir menos, mas consumir com um sorriso, bem disposta, ter menos coisas mas ter uma vida mais ‘light’, mais de acordo com todo este problema do mundo e da escassez de recursos no mundo em que vivemos”, advoga o CEO da Renova.

Relativamente à associação da Renova a um mercado de luxo, este gestor considera: “acho que a Renova, como marca, é percecionada de maneira diferente em diferentes mercados”.

“Em Portugal, provavelmente, é uma marca histórica. Lembro-me de termos feito um estudo nos anos 1980 que dizia que era a marca das minhas avós, hoje já é capaz de aparecer como marca mais jovem e de luxo e um bocadinho diferente. Acho que, em Portugal, tem um bocadinho todas as áreas. A Renova tem produtos que cumprem as necessidades básicas das pessoas com uma relação qualidade-preço que acho que é a melhor que há, dentro da nossa marca, e depois tem produtos mais luxuosos, cujo objetivo já não é tanto o de cumprir a necessidade básica, mas já pode ter que ver muito mais com ‘lifestyle’, com a decoração da casa de banho, com o que acontece nas marcas de luxo”, explica este responsável.

No entender de Paulo Pereira da Silva, “em Portugal, nós temos propdutos de luxo, produtos ‘premium’, ou produtos normais que têm muito interessante relação qualidade-preço. Agora, passo para um mercado onde estamos há muito pouco tempo, por exemplo, a Coreia do Sul: na Coreia do Sul vendemos pouco e praticamente só lenços de cores e com perfumes e os lenços da Renova na Coreia do Sul são percecionados como marca de luxo, como um produto europeu de muita qualidade, quase como se fosse um perfume. E está bem. Foi isso que foi pretendido aí, porque se eu entrasse como uma marca normal não existia na Coreia, porque, obviamente, essa categoria de produto, esse nível de produto está perfeitamente preenchido e nós não poderíamos ser concorrentes a partir daqui, mas começar como um produto muito diferenciado para nós é muito importante, exatamente para este desenvolvimento da Renova como marca – diria que é mesmo essencial. Como todas as marcas que estão sempre a lançar coisas novas e a tentar diferenciar-se e ter produtos”.

O CEO da Renova assume na referida entrevista que, “apesar de ser papel higiénico, não sei porque é que não pode ser um produto engraçado, ‘fun’ e de decoração como todos os outros”.

“Não tem que ser um produto envergonhado, é uma coisa que tem que ver com a minha vida. Quando vim da física e comecei a trabalhar na Renova e dizia aos meus colegas que fazia papel higiénico toda a gente se ria um bocadinho. Pronto, é assim, acho que hoje é um bocadinho diferente”, confessa Paulo Pereira da Silva.

O gestor revela ainda outra experiência internacional ao serviço da Renova: “estive na China e estava a ver as marcas que estavam a falar e acho que esse aspeto de longevidade de um marca e de conseguir existir ao longo de muito tempo é um valor até de um ponto de vista comercial”, acrescentando que, por isso, se deve “também ter o cuidado com a própria história e com o futuro”.

Recorde-se que a Renova foi criada em 1818,, ano em que o Congresso norte-americano aprovou a famosa bandeira ‘star and stripes’, com as estrelas e as riscas.

Questionado sobre quando é que a Renova se irá livrar do plástico, Paulo Pereira da silva admitiu que “não sei quando é que pode ser totalmente livre de plástico”.

“Gostaria de avançar muito mais depressa do que se está a avançar. Lançámos alguns produtos e, felizmente, não podemos obrigar os cidadãos a escolherem estes produtos e não outros. Em alguns dos nossos produtos tecnicamente ainda não é possível tirar tudo, mas é possível reutilizar. Noutros era possível avançar com mais velocidade e eu gostava de andar com mais velocidade, mas só posso ir à medida que as pessoas que comprarmos produtos também os comprarem, se eu fizer os produtos e não os vender tenho essa responsabilidade toda das pessoas que trabalham aqui, mas estamos preparados para ir com mais velocidade”, garante o CEO da Renova.

Paulo Pereira da Silva esclarece que “tenho os meus primeiros clientes, que são as cadeias de distribuição, depois tenho o cidadão, portanto, tenho de ter os dois a aceitarem esta mudança”.

“E por vezes não é fácil, acho que é uma coisa que vai demorar algum tempo, mas acho que, muito rapidamente, esse assunto vai ficar resolvido. Aí, sou extremamente otimista, se calhar não o sou tanto em relação ao aquecimento global, que é uma questão muitíssimo mais complexa, mas essa questão do plástico está muito mais na nossa mão de a mudar e acho que vai avançar depressa na globalidade. Sou um mergulhador e todas as minhas férias passo-as a mergulhar, portanto, sou particularmente sensível a esse aspeto”, acentua o gestor~na entrevista ao último número da revista ‘PME Magazine’.

Paulo Pereira da Silva irá hoje, dia 15 de janeiro, na Universidade Nova SBE de Carcavelos, a partir das 09h30m, dar uma palestra de apresentação da Renova bem como do seu percurso desde que começou a trabalhar na empresa, passando desde a ideia do célebre ‘papel higiénico preto’ até à atualidade, numa iniciativa promovida pela referida revista.

 

 

 

Ler mais
Recomendadas

Novo Banco: ‘Mobile’ já é o maior ponto de contacto com os clientes

Segundo os dados apresentados por João Dias, chief digital officer do Novo Banco, até junho de 2019, 42% das interações entre os clientes particulares e o Novo Banco foram realizados através do mobile, contra 39% dos pontos de contacto realizados através do ATM, numa altura em que o Novo Banco ainda se assume como “um ATM junky”.

British Airways anuncia suspensão de todos os voos para a China

As companhias aéreas Lion Air, Cathay Pacific, Asiana, Jeju Air, Jin Air e Air Seoul também já anunciaram suspensão ou cancelamento de voos para território chinês por causa do coronavírus, que já matou 132 pessoas.

Santander lucra 6,5 mil milhões em 2019, menos 17% que em 2018

O banco espanhol apresentou resultados a caírem por causa dos custos extraordinários com a operação que tem no Reino Unido. Mas em Espanha os lucros subiram. O Santander Totta, em Portugal, contribuiu com 525 milhões de euros para o resultado líquido.
Comentários