Republicanos livram-se do rosto da supremacia branca em Washington

Congressista Steve King foi derrotado nas primárias republicanas no círculo do estado do Iowa que representa desde 2002. Perda de influência na Câmara dos Representantes após afirmações polémicas dita afastamento do político que ainda se tentou agarrar a um elogio de Donald Trump.

Steve King com Donald Trump

O congressista republicano Steve King, considerado o principal rosto da supremacia branca no Capitólio, vai deixar Washington no início de 2021, visto que não terá a oportunidade de tentar reeleger-se em novembro. O veterano da direita norte-americana perdeu as eleições primárias realizadas no círculo eleitoral do estado do Iowa que representa desde 2003, derrotando ao longo de nove ciclos eleitorais oito adversários (Joyce Shulte repetiu desaires em 2004 e 2006) do Partido Democrata.

Foi preciso cair em desgraça junto dos seus eleitores, sofrendo com o distanciamento social da liderança republicana no Iowa – um dos estados do Midwest mais conservadores e avessos a proximidades com o Partido Democrata -, para o antigo empresário de 71 anos ser afastado do próximo ciclo eleitoral nos Estados Unidos. Todos os lugares da Câmara dos Representantes e um terço dos lugares do Senado estarão em jogo a 3 de novembro, dia em que se ficará a saber se Donald Trump continua na Casa Branca ou cederá o lugar ao antigo vice-presidente democrata Joe Biden, e tudo indica que o quarto círculo do Iowa passará a ser representado pelo até agora senador estadual republicano Randy Feenstra, que ficou dez pontos percentuais à frente de Steve King nas primárias que foram disputadas nesta terça-feira.

Apesar de o adeus a Washington só ter sido confirmado agora, numa conjuntura de crise racial nos Estados Unidos gerada pela morte do segurança negro George Floyd, asfixiado pelo polícia branco Derek Chauvin quando o estava a deter numa rua de Minneapolis por suspeita de ter feito compras com uma nota falsa, o destino de Steve King foi marcado pela entrevista que concedeu ao “The New York Times” no ano passado. “Quando é que palavras como nacionalista branco, supremacista branco e civilização ocidental se tornaram linguagem ofensiva?”, inquiriu o congressista, tendo de seguida enviado um esclarecimento para o jornal em que negava a supremacia branca e preferia descrever-se como um apoiante dos valores da civilização ocidental.

De nada lhe serviram as desculpas, pois a liderança republicana decidiu retirá-lo de todas as comissões em que se encontrava, o que selou o destino do congressista tão conhecido pela retórica xenófoba como pelo conservadorismo fiscal e social que levou o atual presidente dos Estados Unidos a descrevê-lo como “talvez um dos seres humanos mais conservadores do mundo”. Mas até a proximidade com Donald Trump no passado, usada por King na campanha para as primárias, não permitiu disfarçar que foi demasiado longe mesmo para os padrões do multimilionário com quem partilha o mesmo grau de entusiasmo pela construção de um muro ao longo de toda a fronteira com o México.

Transformado num proscrito no seu estado após contactos com movimentos anti-islâmicos na Europa e uma declaração de apoio a um candidato a mayor de Toronto com ligações ao movimento neonazi, o ainda congressista juntou-se ao rol diminuto de eleitos para o Capitólio que são derrotados nas primárias do seu próprio partido. Ainda que a campanha de Randy Feenstra, que mobilizou três vezes mais fundos de campanha do que o incumbente, se tenha preocupado mais com a perda de influência de Steve King em Washington do que propriamente com a sua retórica extremista.

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