Retorno: expectativa e realidade

Quando guardamos dinheiro numa conta poupança ou subscrevemos um investimento de baixo risco, os retornos poderão não ser suficientes para aumentar, ou sequer manter, os nossos rendimentos. E é pouco provável que a situação mude tão cedo.

Costumamos ser encorajados a ver o “copo meio cheio”, mas quando o otimismo é excessivo o resultado não é, normalmente, o melhor. Parece-nos ser este o caso para boa parte dos 30.000 investidores que participaram no “Schroders Global Investor Study 2019” e que esperam obter, em média, um retorno anual de 10,7% durante os próximos cinco anos.

Esta expectativa revela um perigoso otimismo e ele existe um pouco por todo o mundo: os investidores europeus preveem obter uma média de 9% de retorno ao ano, os da Ásia 11,5% e os das Américas 12,4%. Da mesma forma, os portugueses mantêm expectativas irrealistas: de 10,4% de retorno anual nos próximos cinco anos.

Todos nós sonharíamos com retornos desta ordem, mas seria uma irresponsabilidade assumi-los como possíveis, em particular no mundo em que hoje vivemos – um mundo de baixo crescimento, com baixas taxas de juro e onde os bancos centrais, com as suas compras de títulos, fizeram baixar os rendimentos das obrigações. Um mundo onde o aumento da produtividade tende a reduzir-se, mesmo no mundo emergente; onde o envelhecimento da população continuará a exigir mais dos orçamentos de Estado, e onde o rendimento familiar estará mais pressionado e com menos capacidade para alimentar a procura…

Estas são apenas algumas das realidades que sustentam a nossa opinião, de que os retornos revelados pelos investidores serão uma miragem e de que as perspetivas globais para o crescimento e para a rentabilidade dos investimentos serão de “copo meio vazio”. Isso significa que, quando guardamos dinheiro numa conta poupança ou subscrevemos um investimento de baixo risco, os retornos poderão não ser suficientes para aumentar – ou sequer manter – os nossos rendimentos. E é pouco provável que a situação mude tão cedo.

Ao contrário do que aconteceu nas décadas de 80 e 90, em que os nossos pais e avós, conseguiram arrecadar o tipo de rentabilidades que os investidores continuam a manter nas suas memórias, financiando com elas uma vida e uma reforma melhores, esse não é o mundo em que vivemos. E se analisarmos o histórico de rentabilidades de vários títulos, rapidamente concluímos que essas décadas de retornos a dois dígitos foram tempos de exceção e não constituem a regra.

Assim, neste momento, a primeira regra, é aceitar que vivemos num ambiente de baixo crescimento e retorno.

A segunda, é ter consciência de que, com menor retorno, é preciso investir mais e mais cedo (os benefícios dos juros e retornos compostos compensarão a longo prazo).

Em terceiro lugar, importa equacionar o nível de exposição ao risco que estamos dispostos a assumir para obter retornos mais elevados, sem esquecer a volatilidade que esta opção implica.

Finalmente, convém considerar se vale a pena percorrer este caminho sozinho ou contar com o aconselhamento de profissionais especializados que, com mais informação sobre a realidade em que vivemos, certamente podem ajudar a tornar “o copo mais cheio”.

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